Aposta no setor elétrico

FIP Coliseu aportou todo o seu patrimônio na compra da italiana Terna Participações e quer transformá-la na maior empresa privada do setor

Especial/Gestão de Recursos/Reportagens/Private Equity e Venture Capital 2010/Temas / 1 de novembro de 2010
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Ser a maior empresa privada do setor de transmissão de energia elétrica no Brasil nos próximos dez anos. Esse é o projeto, sem dúvida ambicioso, da Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa), antiga Terna Participações, cujo controle foi adquirido em 2009 pelo FIP Coliseu, gerido pelo Banco Modal. Em uma transação realizada fora da Bolsa de Valores, o fundo abocanhou 51% da Taesa. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) comprou os 49% restantes.

Controlada pelo governo da Itália, a Terna detinha units listadas no Nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa desde outubro de 2006. No ano passado, os italianos resolveram voltar a sua atuação para os países europeus e sair do nosso mercado. Foi a ocasião ideal para a Cemig, com seus planos de expansão, e o private equity do Banco Modal, interessado em investir num setor com alto potencial de crescimento, entrarem em cena. Eles arremataram os papéis dos italianos por cerca de R$ 3 bilhões e, mais tarde, trocaram sua razão social para Taesa. Desse total, R$ 1,3 bilhão veio do FIP Coliseu, que desembolsou a totalidade de seu patrimônio nessa operação.

O fato de a transmissora ser listada em Bolsa caiu como uma luva para os projetos de expansão que os novos sócios têm para a Taesa. “Isso nos possibilita fazer transações via troca de ações, além de significar mais transparência para a emissão de títulos de dívida”, explica Carlos Alberto Trindade Neto, responsável pelo FIP Coliseu. Atualmente, a companhia tem 3,71 mil quilômetros de linhas de transmissão espalhadas por 11 estados brasileiros, o que representa, em termos de receita, 7% do mercado. A CTEEP, líder privada do setor de transmissão, tem uma rede de cerca de 12,25 mil quilômetros.

Tirar a liderança da CTEEP, porém, não será fácil. A Taesa tem, basicamente, duas opções para expandir seus negócios: via ganho de licitações e aquisições. A alternativa de crescer por meio do aumento dos ativos existentes é marginal. Em agosto deste ano, a Taesa esteve prestes a adquirir três empresas (Sul Transmissora de Energia, Interligação Elétrica de Minas Gerais e Nordeste Transmissão de Energia Elétrica) por R$ 275 milhões. Mas o negócio não seguiu em frente, pois os acionistas remanescentes das companhias exerceram o direito de preferência sobre o aumento de capital.

Com receitas estáveis e boas perspectivas de crescimento, as transmissoras atraem os investidores. Como o Brasil tem dimensões continentais e os centros de consumo de energia (o Sudeste e o Sul) estão geograficamente afastados da Região Norte, onde localiza-se o maior potencial de geração nos próximos anos, muitas redes de transmissão de energia e subestações novas devem ser instaladas pelo interior do País. O Banco Modal estima que, nos próximos dez anos, o Brasil terá expandido suas linhas de transmissão em 37 mil quilômetros, um aumento de 38% em relação à malha atual — o que demandará aproximadamente R$ 40 bilhões de investimentos no setor.

O aumento da eficiência operacional também está dentre as prioridades da Taesa. Desde novembro de 2009, quando o investimento foi feito, a margem Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu de 79% para 88,5% no último trimestre. O aumento, segundo Trindade, deve-se à gestão compartilhada. Enquanto a Cemig aportou conhecimento técnico e sobre o setor, o Modal contribuiu para o aprimoramento da gestão. “Tivemos um ganho significativo em governança corporativa com a vinda do FIP Coliseu”, avalia Paulo Mota Henriques, presidente da Taesa.

As principais mudanças foram a instalação de um conselho fiscal permanente e a criação dos comitês financeiro, de auditoria e de gestão para assessorar o trabalho do conselho de administração. O board conta hoje com 11 membros, sendo cinco indicados pelo FIP, quatro pela Cemig e dois independentes. No próximo ano, a Taesa também deverá recompor seu free float, que, pelo regulamento de listagem do Nível 2, deve ser de 25%. A troca de controle no fim de 2009 obrigou a companhia a realizar uma oferta pública que reduziu suas ações em circulação para 4,7%.

O prazo para investimento do FIP Coliseu é de cinco anos, mas ele pode ser prorrogado.
Pela estrutura da transação, o fundo tem o direito de vender as suas ações à Cemig, após esse período, pelo equivalente ao valor de aquisição corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 7% ao ano. Ao garantir um retorno mínimo aos investidores, esse mecanismo evita que o FIP tenha pressa de sair do investimento.


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