Aposta em infraestrutura

Fundo Nordeste II, da Rio Bravo, auxilia T&A a melhorar a gestão financeira, acelerar o crescimento e conquistar novos mercados

Especial/Gestão de Recursos/Reportagem/Private Equity - Coletânea de casos 2012/Temas / 1 de janeiro de 2012
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Lucrar com o crescimento da construção civil, mas sem correr os riscos inerentes à incorporação ou à aquisição de imóveis. Foi isso que o fundo Nordeste II da Rio Bravo conseguiu ao aportar, há pouco mais de um ano, R$ 25 milhões na T&A, empresa de pré-fabricados de concreto nascida em Fortaleza. Apesar de atuar no ramo da construção civil e ganhar com o desenvolvimento do setor, a T&A tem uma dinâmica semelhante à de uma fábrica. Sua vantagem é ter um produto que atende à atual necessidade de maior rapidez nas obras — reduz o tempo da construção à metade e, de quebra, diminui os custos de pessoal.

A T&A tem expertise em duas áreas que crescem aceleradamente no Brasil: a de construção de shopping centers e a de obras de infraestrutura, como portos, viadutos e estaleiros. Também atraiu a Rio Bravo o fato de o setor de pré-fabricados ser bastante fragmentado, o que abre espaço à consolidação, observa Luiz Medeiros, gestor do Nordeste II.

Do lado da fabricante, o interesse em fechar negócio com o fundo se deveu a oportunidades de melhorar a gestão financeira, acelerar o crescimento e conquistar novos mercados. Após o aporte da Rio Bravo, a T&A, que já tinha três fábricas no Nordeste (Bahia, Ceará e Pernambuco), ampliou a participação na região. Atualmente, está envolvida em grandes obras como a da construção da Arena Fonte Nova, em Salvador, estádio que será um dos palcos da Copa do Mundo de 2014. O apoio do fundo também foi fundamental para a empresa chegar ao Sudeste. A entrada se deu a partir da compra da Sinasa, uma fábrica desativada em Itu, que atualmente fornece os produtos da T&A para a construção civil no Estado de São Paulo. Em breve, a companhia poderá instalar, ainda, um braço no Rio de Janeiro.

Para os próximos três anos, a previsão é ter pelo menos mais três fábricas em diferentes regiões. “Podemos tanto montá-las diretamente quanto fazer aquisições”, afirma Aquiles Ponte, um dos sócios da T&A. A dificuldade é achar o local certo. No caso dos pré-moldados, explica o gestor da Rio Bravo, a fábrica precisa estar num raio de 700 quilômetros das construções. Caso contrário, o negócio deixa de ser competitivo. No Brasil, algumas das grandes companhias que concorrem com a T&A são a Medabil — líder de mercado, porém fabricante de estruturas metálicas, não de concreto — e a Cassol, empresa semelhante à T&A, contudo, presente apenas na Região Sul. Esta, segundo Medeiros, “ofereceria um bom complemento geográfico à T&A”.

Em 2011, a empresa de pré-fabricados teve um faturamento de cerca de R$ 250 milhões, bem superior aos R$ 100 milhões registrados dois anos atrás. O plano é, em cinco anos, atingir entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, o que, para Pontes, é totalmente viável. “Mesmo que o setor de construção civil cresça menos como um todo, devido ao cenário econômico, acreditamos que os segmentos em que atuamos continuarão em expansão”, avalia o sócio da T&A. “O governo federal continuará investindo em infraestrutura, e o setor de varejo, especialmente o de shopping centers, se manterá forte.”

Desde a entrada do fundo, a companhia também passou por mudanças na gestão, principalmente, no que diz respeito à organização financeira. Como resultado, aprimorou seus controles internos, melhorou o planejamento financeiro e contratou a Ernst & Young para auditar seus balanços. “Também passamos a fazer um acompanhamento mensal de resultados e implantamos um sistema de metas e remuneração por resultados”, conta Medeiros.

Outra vitória foi a instalação de um conselho de administração composto de cinco membros, sendo um deles independente. “Tudo agora passa pelo conselho, não basta os sócios decidirem”, ressalta Ponte. Segundo ele, orçamentos superiores a R$ 3 milhões, por exemplo, têm que passar hoje pelo crivo dos conselheiros, que avaliam se o negócio oferece margens de lucro suficientes.

“As due dilligences feitas pelo fundo, a profissionalização da gestão e a auditoria dos balanços por uma firma de primeira linha valorizam a empresa”, acredita Ponte, que não descarta a possibilidade de, daqui a alguns anos, abrir o capital da T&A. Essa poderia ser uma porta de saída para a Rio Bravo, mas a gestora não pensa nisso por ora. O fundo Nordeste II, que dispõe hoje de R$ 40 milhões para investir, será encerrado somente em 2017. Este ano, a gestora começa a estruturar o Nordeste III, que buscará uma captação mínima de R$ 200 milhões e investirá entre R$ 50 milhões e R$ 80 milhões por empresa selecionada.


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Tags:  Nordeste II Rio Bravo T&A gestão financeira Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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