Alvo de agressões politicas, Cox é criticado por suspensão do short selling

Captação de recursos/Internacional/Temas/Edição 62 / 1 de outubro de 2008
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No dia 18 de setembro, quando a crise financeira pós-quebra do Lehman Brothers entrava em seu momento mais crítico, o candidato à presidência dos Estados Unidos John McCain disse ao eleitorado o que faria caso fosse presidente. “Eu demitiria o Cox”, afirmou, segundo informação da imprensa internacional. O alvo de seu discurso era o presidente da Securities and Exchange Commission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais norte-americano, Christopher Cox. Segundo o candidato, Cox devia ser punido por trair a confiança da população e permitir que fundos hedge e especuladores transformassem o mercado no que ele definiu como um “cassino.” “O regulador cochilou, meus amigos”, complementou McCain.

Sob a ameaça de virar vilão, Cox tomou uma providência. Em menos de 24 horas, apresentou ao mercado o seu bode expiatório para a crise. A partir daquela sexta-feira — e durante dez dias prorrogáveis por outros 30 — foi proibido o uso do short selling (venda de ações a descoberto) com papéis de 799 companhias, a maior parte composta por instituições financeiras. Seu intuito era claro. Ele pensava em matar o mal pela raiz.

As operações de short selling, conhecidas no Brasil como empréstimos de ações, favorecem a pressão vendedora do mercado. Isso porque o investidor pode se aproveitar de um movimento forte de venda do papel sem grandes esforços. Basta que ele o alugue, espere o preço despencar e, depois, lá na frente, compre um novo bem mais barato para devolver a quem lhe fez o empréstimo. Quando uma crise de proporções gigantescas está em voga, a existência de um instrumento desse tipo pode ser considerada a corda que faltava ao suicida.

O advogado norte-americano Gregory Harrington, do escritório Arnold & Porter, defende a proibição nesse momento. “É uma decisão apropriada para uma situação extraordinária.” Mas o mercado mostrou que preferia ter tido o direito de continuar com a corda e usá-la como quisesse. A medida do presidente da SEC aborreceu, e muito. Segundo os defensores do short selling, a liquidez que esse instrumento injeta no mercado é elogiável, pois evita oscilações muito grandes e imprime eficiência na formação dos preços. Além disso, a iniciativa de Cox foi malvista por seus efeitos “manipuladores”. Quem estava “vendido a descoberto” em operações desse tipo teve, no máximo, três pregões — o período de liquidação de um empréstimo — para se “cobrir”. Essa obrigação gerou uma pressão compradora no mercado que teve de ser ingerida goela abaixo, causando enorme desconforto.

“Exceto em casos de fraude, não é papel da SEC agir sobre a cotação de um ativo”, explica o professor Robert Howell, da Tuck School of Business. Howell entende que a operação, feita legalmente, não deveria ser proibida porque é fundamental para o mercado financeiro. Além do mais, argumentam os investidores, a suspensão do short selling não eliminou as possibilidades de apostas na baixa fora do mercado à vista. Os mercados futuros e de opções também servem a esse propósito.

No Brasil, segundo comunicado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alguns controles — como a liquidação e a compensação centralizada — tornam dispensáveis medidas como a tomada por Cox. A autarquia destacou o caráter benéfico da venda a descoberto e não cogita medidas regulatórias adicionais.

Conteúdo extra

Acesse o link com o discurso do presidente da SEC Christopher Cox sobre a suspensão temporária do short selling.

Leia o comunicado do escritório Arnold&Porter sobre a prorrogação da medida.


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