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Nas últimas décadas, as empresas fizeram mudanças fundamentais em seus modelos de negócio com o objetivo de aumentar o valor para o acionista. A tônica foi colocar mais ênfase na gestão financeira, e vários fatores vêm evidenciando essa tendência. As ações de marketing estimularam o aumento da demanda por bens e serviços, enquanto os novos processos e tecnologias reduziram, eliminaram ou transferiram as atividades intensivas em mão de obra para países em que os custos são menores.

Essas modificações elevaram o valor do negócio para o acionista, mas expuseram a alta administração a um cenário de mais complexidade e riscos. Os recursos para avaliar e monitorar riscos, por sua vez, não evoluíram na mesma proporção e, em alguns casos, até diminuíram.

Estudos recentes indicam que os riscos estratégicos e de negócios são ameaças maiores à criação de valor para o acionista do que os riscos operacionais, de observância às normas (compliance), ou financeiros. Ao analisar os fatores por trás das rápidas perdas de valor para o acionista — considerando as empresas de “alta capitalização” (Fortune 500 e do índice FTSE 100) —, os pesquisadores verificaram que os problemas estratégicos e de negócios são a forma mais comum de destruir o valor de uma companhia. Segundo esses estudos, eles chegam a ser responsáveis por 60% da perda de valor, enquanto aspectos operacionais causam 20% dessas perdas.

A relação entre a geração de valor para o acionista e a atuação da auditoria interna nem sempre é clara. Em geral, a maior parte do tempo e da atenção dos auditores internos é dedicada à análise dos riscos financeiros e seus respectivos controles. Essa ênfase nos controles financeiros pode ter sido adequada para a observância da Lei Sarbanes-Oxley. Mas agora que, com essa lei, os riscos estão mais bem controlados, a auditoria interna precisa direcionar esforços para outros riscos que afetam a geração de valor para o acionista e melhorar a relação custo/benefício no monitoramento financeiro e de compliance.

Dentre os aspectos que interferem diretamente na geração de valor para o acionista e, portanto, merecem atenção, estão, por exemplo, os processos utilizados:

• na avaliação dos riscos atinentes a segurança, qualidade ou confiabilidade de fornecedores da cadeia de suprimentos estendida;

• na identificação e reparação em caso de descumprimento dos aspectos regulatórios;

• no atendimento das exigências regulatórias e de proteção ao consumidor no que diz respeito à publicidade;

• no cumprimento das normas regulatórias relativas às estratégias de precificação, evitando eventual caracterização de formação de cartel ou acordos com concorrentes; e

• na mitigação e detecção de ações que configurem discriminação de clientes, fornecedores e funcionários.

A auditoria interna deve estar preparada também para avaliar os processos que sustentam os objetivos estratégicos e de negócios da empresa, como desenvolvimento do pessoal, lançamento de produtos, redução de custos, dentre outros. Embora sejam, às vezes, negligenciados, os processos que sustentam esses objetivos podem tornar-se mais eficientes e eficazes, pois ajudam a proteger e aumentar o valor no longo prazo.



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Tags:  criação de valor PwC

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