Ajeitando a casa

Com ajuda das gestoras Guepardo e Rio Bravo, Bematech reduz custos, troca de presidente e melhora resultados

Governança Corporativa/Temas/Reportagem/Governança Corporativa - Coletânea de Casos 2012 / 1 de julho de 2012
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Marcel Malczweski, fundador e presidente do conselho de administração da Bematech, não esconde seu apreço pelos gestores de recursos da Guepardo Investimentos e da Rio Bravo. Eles tiveram um papel importantíssimo nas mais recentes escolhas estratégicas da provedora paranaense de tecnologia de automação comercial, listada desde 2007 no segmento mais sofisticado de governança da Bolsa, o Novo Mercado.

A Guepardo fez a primeira compra de ações da Bematech em 2008. Desde então, empenhou-se em estreitar o relacionamento com a companhia. “Foram várias reuniões com os fundadores, em Curitiba, e deles com a equipe da gestora, em São Paulo”, lembra Octavio Magalhães, sócio da Guepardo. “Levou tempo até eles se convencerem de que estávamos interessados num trabalho de longo prazo.” Esse esforço culminou, em abril de 2010, com a indicação de Sérgio Lisa de Figueiredo, sócio da gestora há oito anos, para o conselho de administração da Bematech. Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas e pós-graduado em economia na mesma instituição, Figueiredo foi integrante do board da Cremer, em 2008, e do conselho fiscal da Coteminas e Springs Global, em 2009.

A colaboração da Guepardo se deu na área financeira. Depois que abriu o capital, a Bematech fez aquisições que trouxeram poucas sinergias e, consequentemente, impactaram os resultados e a precificação dos papéis na Bolsa. “A Bematech cresceu demais com as compras que fez. Foram seis empresas em dois anos, levando a companhia a atuar nos segmentos de software e serviços”, avalia Magalhães. No terceiro trimestre de 2011, a Bematech reconheceu como prejuízo parte do ágio pago nas aquisições das empresas GSR7, incorporada em 2008, e W2M, adquirida em 2009, no total de R$ 69 milhões. Assumiu, assim, que os resultados com as compras não haviam sido os esperados.

Para reverter essa situação, a Guepardo convenceu a empresa a contratar, em 2010, uma consultoria em estratégia e reestruturação de negócios. A fim de diminuir despesas, toda a área de pesquisa, que ficava espalhada em várias unidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, foi concentrada num único laboratório em Jundiaí. A Bematech também fechou escritórios na Europa e na América Latina, mantendo unidades internacionais apenas na Ásia e nos Estados Unidos. Na área de produção, vem conseguindo diminuir os custos com a busca por fornecedores na China. “A empresa arrumou a casa e está pronta para um novo ciclo de crescimento”, afirma Malczweski. No primeiro trimestre de 2012, registrou alta de 47,5% no Ebitda e 28,2% no lucro líquido em comparação ao mesmo período do ano passado.

Na esfera da governança corporativa, a contribuição veio da Rio Bravo. Mário Fleck, sócio da gestora e conselheiro independente da Bematech até abril deste ano, participou ativamente do processo de escolha do novo CEO da companhia. Foi escolhido Cléber Moraes. Com 23 anos de experiência em grandes empresas do setor de tecnologia, Moraes foi presidente da provedora de solução em telecomunicação Avaya no Brasil e executivo da Sun Microsystems. “O Mário recomendou empresas de headhunting, participou das entrevistas de seleção e ajudou na transição do CEO antigo para o novo. Sem ele, esse processo teria sido muito mais longo e tortuoso”, acredita Malczweski. Diretor presidente da Rio Bravo Investimentos desde 2004, Fleck já foi membro do conselho de administração de Unipar, Ferbasa e Nossa Caixa.

Na opinião de Magalhães, a relação da Bematech com seus minoritários é uma exceção na realidade brasileira. “Em muitas empresas, nossos representantes nos boards são figuras decorativas”, observa. O sócio da Guepardo se recorda que, certa vez, foi recebido com extrema hostilidade em uma companhia do setor industrial. “Eles diziam que o pessoal da Guepardo nunca iria pisar lá dentro, pois, segundo eles, só queríamos resultados de curto prazo para depois abandonar a companhia.”

Em funcionamento desde 1991, o conselho de administração da Bematech possui sete membros. Além de Figueiredo, Marco Tulio Leite Rodrigues, gestor da consultoria Pilar, responsável pela reestruturação de negócios da Bematech, e José Paschoal Rosseti, consultor da Fundação Dom Cabral, são conselheiros independentes. “Nosso board não é um grupo de três ou quatro que mandam”, frisa Malczweski, que, junto com Wolney Betiol, fundou a Bematech em 1990. Cada um deles tem atualmente pouco mais de 10% de participação no capital da companhia. “Somos dois empreendedores que se encontraram e abriram um negócio. Não compartilhamos o sentimento de que devemos comandar tudo. Temos uma mente muito aberta”, diz Malczweski.




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