A ameaça vem de fora

Positivo Informática desaponta na competição com grandes players mundiais

Captação de recursos/Bimestral/Temas/Edição 89 / 1 de janeiro de 2011
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Nem reconhecimentos como o título de maior empresa de PCs e notebooks (300 Maiores, da revista Computerworld), indicação ao posto de maior do segmento de tecnologia da informação do País (Anuário Valor 1000) e Top of Mind 2010 (na categoria notebooks), todos no ano passado, salvaram a Positivo Informática de uma punição dos investidores. As ações da maior fabricante de computadores do Brasil cravaram queda acumulada de 34,07% em 30 de novembro de 2010 em comparação ao fechamento de 31 de maio — o pior desempenho da lista elaborada pela Economática para esta coluna. A explicação para a desconfiança em relação à essa companhia presente em 8 mil escolas e líder em tecnologia educacional vem de fora do Brasil.

A Positivo Informática tem enfrentado forte concorrência de multinacionais que querem reverter o quadro de compressão das economias norte-americana e europeia. Ávidas pelo mercado brasileiro em ebulição — menor taxa de desemprego dos últimos tempos, maior acesso ao crédito e ascensão das classes C, D e E —, as concorrentes chegaram oferecendo preços bem abaixo dos praticados pela Positivo.

Sufocada, a fabricante brasileira seguiu o lema da queima de preços. Nos últimos 12 meses, a companhia cortou os preços dos notebooks em 16,9%. Já na soma com desktops, o recuo dos valores médios foi menor: 4,5%, graças ao aumento de 6,1% dos preços dos computadores de mesa — sustentado pelas entregas referentes ao contrato com o Ministério da Educação (MEC). A parceria com o governo, observam analistas, é um importante colchão para a empresa, e deve corresponder em 2011 à entrega de 400 mil PCs.

Na prática, a forte desvalorização das ações da Positivo reflete o que está apresentado em seu balanço: quedas significativas de margens de lucro e elevados custos. No terceiro trimestre de 2010, a margem Ebitda foi reduzida a 3,6%, ante os 10,2% do mesmo período do ano anterior. “Não há dúvidas de que a companhia está sofrendo muito com a concorrência dos grandes players internacionais. Os números, não necessariamente os de vendas, mas de margens estão muito aquém do que poderiam ser”, confirma a analista-chefe da corretora Ativa, Luciana Leocádio.

O volume de vendas de julho a setembro, de 521,8 mil computadores, foi o segundo melhor desempenho trimestral da história da companhia e 8,9% superior ao registrado de abril a junho, garantindo uma participação de 14,1% no mercado brasileiro. Mas ficou 1,3% abaixo do contabilizado em igual período de 2009. “Tivemos um trimestre de vendas em linha com o que esperávamos”, minimizou o diretor-presidente da companhia, Hélio Rotenberg, na apresentação de resultados ao mercado, em 11 de novembro.

O executivo explicou que o maior volume no terceiro trimestre de 2009 se deveu à antecipação de entregas de parte da demanda do varejo dos três meses seguintes. De janeiro a setembro de 2010, as vendas totais da Positivo alcançaram 1,43 milhão de computadores, crescimento de 10,3% em relação aos primeiros nove meses do ano anterior. Na mesma base de comparação, o lucro líquido da Positivo somou R$ 83,3 milhões, 4,4% superior ao resultado de igual período de 2009. No entanto, o lucro líquido do terceiro trimestre de 2010, de R$ 15,3 milhões, foi 50% menor do que o obtido no trimestre imediatamente anterior, de R$ 30,2 milhões, e 74,1% inferior ao registrado entre julho e setembro de 2009.

Um problema que a Positivo enfrenta, segundo analistas, é a estrutura de custos pesada, inflada pelas despesas comerciais e com assistência técnica. Numa espécie de “mea culpa”, Rotenberg reconheceu que o encolhimento das margens Ebitda acendeu o sinal vermelho na companhia. “Isso nos fez olhar para dentro de casa e perceber que temos oportunidades de redução de custos fixos, que é o nosso grande desafio daqui para a frente”, frisou.

Mas o mercado indica que a Positivo tem outros obstáculos a superar. Um deles, na opinião do analista Diego Aragão, da Flow Corretora, é encontrar um diferencial que a coloque em posição mais favorável frente às concorrentes. “O mercado de PCs é um business forte na empresa, mas não a sustentará por muito tempo. O segmento de hardware, de forma geral, está padronizado. A Positivo deveria se voltar para serviços, como os grandes players mundiais estão fazendo, mas não vemos esse movimento”, atestou. Para o analista, a estratégia da Positivo ainda não está clara.

Os investidores parecem mesmo estar ressabiados, a contar pela queda de 1,6% das ações no último 6 de dezembro, quando a empresa brasileira anunciou a formação de uma joint venture com a argentina BGH para a fabricação e comercialização de produtos de informática naquele país e no Uruguai. “Essa internacionalização é boa por reduzir um pouco a exposição da Positivo no mercado local. Mas ainda precisamos ver os primeiros resultados, saber em qual proporção as margens da empresa melhorarão e como será a rede de distribuição”, argumenta Aragão.


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