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“Os eleitores devem acreditar no que os candidatos fizeram de concreto e não no que dizem que vão fazer”

Alexandre Póvoa*/ Ilustração: Julia Padula

Essa frase foi dita por Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral, ao questionar as promessas dos adversários.

Na semana anterior à eleição, a cada ponto que a então candidata Dilma subia nas pesquisas, os ativos brasileiros, injusta ou injustamente, se desvalorizavam (quedas da Bolsa e do real; abertura da taxa de juros longa).

Na semana seguinte, após a vitória apertada da agora reeleita presidenta, os mercados até ameaçaram uma queda no primeiro pregão, mas depois embalaram um ciclo de euforia (exatamente na direção contrária do observado na semana anterior) entre os pregões de 27 e 31 de outubro.

A base para recuperação da confiança, ao menos no curto prazo, foi baseada em três fatores:

1. Elevação da taxa Selic pelo Conselho de Política Monetária (Copom) três dias após as eleições, com a justificativa de “que o cenário mudou muito nos últimos 45 dias e o BC tem que tomar uma providência para trazer a inflação de volta à meta”.

2. Especulações de três nomes para o Ministério da Fazenda: dois profissionais ligados ao setor financeiro e um terceiro que saiu do governo por não concordar com os rumos da política fiscal.

3. Especulações sobre restabelecimento imediato de alguns impostos e alta dos combustíveis.

Em meio ao anúncio de mais um agressivo “quantitative easing”, além do uso de um importante fundo de pensão estatal pelo Japão para ajudar no vigor do preço das ações, o mercado brasileiro, dentro de seu típico raciocínio ciclotímico bipolar, deve saber o que está fazendo. Ou não?