O atual momento especulativo da bolsa brasileira

23/6/2014

Sem categoria / 23 de junho de 2014
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Alexandre Póvoa*/ Ilustração: Julia Padula

As especulações acerca do resultado das eleições presidenciais do Brasil, após a divulgação de diversas pesquisas, provocaram um desempenho da bolsa brasileira nos últimos quatro meses superior ao das outras bolsas internacionais. Alguns exemplos (comparações feitas em dólar):

• 10% acima do desempenho médio das outras bolsas emergentes (MSCI Emerging Markets);
• 14% acima do Euro Stoxx 50;
• 12% acima do S&P.

Outra característica atual é o acirramento das posições contrárias entre estrangeiros e locais no mercado futuro do Ibovespa. O nível de pessimismo do investidor local permanece exacerbado já há alguns meses (aumento de posições vendidas), enquanto os estrangeiros vêm agregando posições compradas. Hoje, no mercado futuro, observa-se a posição comprada em ao redor de 90 mil contratos para os estrangeiros, com a contrapartida de contratos vendidos na mesma magnitude por parte dos locais.

Na prática, essa posição acirrada dicotômica entre locais e estrangeiros no mercado futuro pode causar enorme volatilidade no pregão brasileiro no segundo semestre. Três hipóteses, entre muitas, são:

1. Algum fator negativo externo ocorre, eleva-se a percepção de risco e os estrangeiros resolvem reduzir sua exposição global a ações, independentemente de qualquer fator local. Grande potencial de queda da bolsa brasileira.
2. A atual presidente avança nas pesquisas, reafirmando a manutenção dos nomes de comando e da política econômica para o segundo mandato; os estrangeiros resolvem se desfazer das posições compradas e os locais têm seu pessimismo chancelado. Grande potencial de queda da bolsa brasileira.
3. A oposição avança nas pesquisas ou a atual presidente começa a dar sinais mais amistosos ao mercado em relação à escolha de políticas e nomes para o segundo mandato; os investidores locais são obrigados a se desfazer as posições vendidas. Grande potencial de alta da bolsa brasileira.

Enfim, a volatilidade que nos aguarde para o segundo semestre.




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