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4/6/2014

Sem categoria / 4 de junho de 2014
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No último dia 27 de maio, a convite da Câmera American de Comércio (Amcham) de Ribeirão Preto, fui palestrante no Encontro Premium de Business Affairs. Após uma apresentação inicial, em que apresentei meu artigo publicado na revista Política Externa sobre previsões globais para 2014 e teci comentários sobre o comportamento das economias europeia, americana, chinesa e latino-americana, abordei temas locais, que vão a seguir resumidos:

1. Eleições presidenciais de 2014 — Prevendo o imprevisível

• Parece certo que haverá segundo turno;

• Paradoxo: 70% dos pesquisados pedem mudanças, incluindo a troca de presidente. Paradoxalmente, 9 em cada 10 brasileiros se dizem satisfeitos, ou muito satisfeitos, com a vida que têm. E Dilma Rousseff continua liderando as pesquisas;

• A taxa de rejeição de Dilma é estável (33%) e está acima das taxas de Aécio Neves (20%) e Eduardo Campos (13%);

• Aprovação do governo: Segundo analistas, está no chamado “limbo”, pois não garante a reeleição, considerando comportamento de eleições anteriores (Instituto Análise). Para ser favorita, Dilma precisa ter avaliação ótimo/bom acima de 45%. Os que disputaram com percentual igual ou menor que 34% foram derrotados. Deve ser ressaltado que o horário de TV da presidente será três vezes maior que o tempo de Aécio Neves, e sete vezes superior ao de Eduardo Campos (PSB). Fernando Henrique Cardoso foi reeleito em 1998 com 43% de ótimo ou bom (saiu de 38% em junho). Lula foi reeleito em 2006 com 47% de ótimo ou bom tinha 38% em julho);

• Experiência na América Latina: A revista The Economist nos recorda o poder do Executivo. Desde 1985, somente dois presidentes no exercício do cargo perderam a eleição (seja como candidato, seja como apoiador);

• Dilma II: Continuidade? Mais do mesmo: vai mudar, forçada pelas circunstâncias? Maior intervencionismo? Ou uma política mais “market friendly”, buscando apoio empresarial?

• Aécio: Mudanças, sim, mas com certo gradualismo. Nível de confiança empresarial aumentaria. Eduardo, idem, mas sua campanha será determinante.

2. Contas externas — Vulnerabilidade

• Déficit de janeiro a abril: US$ 33,4 bilhões, o que representa 4,65% do PIB em 2013;

• Estimativa do déficit para 2014: US$ 80 bilhões, ou 3,59% do PIB;

• Investimentos diretos em maio: estimativa de US$ 5 bilhões. Acumulado em 4 meses: US$ 19,4 bilhões, contra US$ 18,9 bilhões em 2013. Acumulado em 12 meses: US$ US$ 64,8 bilhões;

3. Perda da importância relativa da indústria — Fenômeno mundial

Participação da indústria do PIB em queda no mundo e no Brasil também. Aqui, caiu de 25% para 13% desde os anos 1970. Na Europa, a queda foi de 30% para 13,5% e, na América do Norte o patamar atingiu 12%.

4. Como posicionar-se num quadro de incertezas

Segundo o Valor, 257 empresas de capital aberto tiveram lucro consolidado de R$ 32,11 bilhões no primeiro semestre de 2014, o que significa um acréscimo de 6% sobre mesmo período de 2013. Se a Petrobras, a Vale e a Eletrobras fossem retiradas daquele total, a alta seria de 20%. A receita líquida cresceu 14,3%, enquanto os custos subiram 14%. Diante desse quadro, o que esperar para 2014 nos próximos nove meses? Vamos listar os fatores que exercerão influência:

• Administração da inflação e impacto sobre os preços;

• Comportamento da taxa de juros;

• Variação do real sobre o dólar;

• Impacto da Copa do Mundo e das eleições sobre os negócios;

• Nível de renda e de emprego;

• Comportamento do comércio mundial, particularmente a influência do clima sobre preços e volume das commodities, principalmente as minerais.

5. Brevíssimo comentário sobre situação da América Latina — Na encruzilhada!

No passado a América Latina sempre foi o patinho feio. Veio a crise, e as reformas estruturais, em maior ou menor escala feitas no passado, fizeram que os impactos da situação mundial encontrassem uma região mais bem estruturada. Assim, deixamos de ser vistos como problema e passamos a contribuir para o crescimento mundial.

Agora, creio que essa visão de que iríamos nos diferenciar está enfraquecida. Não voltamos a ser problema, mas realmente estamos distante de ser uma solução para melhorar o quadro global.

Teremos crescimento moderado e uma característica negativa de inflação em alta em alguns países. A projeção de crescimento para 2014 é de 2,5%, afetada pela queda no preço das “commodities” e pela relativa perda de massa de manobra após a crise de 2008. Vale a pena, sempre, lembrar que as semelhanças entre os países da região não nos assemelham. Vejo a América do Sul dividida em três blocos:

a) Países bolivarianos (Venezuela, Equador e Bolívia);

b) Países de economia de mercado (México, Colômbia, Chile, Peru e Paraguai);

c) Países indefinidos , com forte influência governamental (Argentina, Uruguai… será que o Brasil deveria ser incluído nesse grupo?).

6. Destaques

• México: Aliança do Pacífico e crescimento baixo. Presidente Peña Nieto está fazendo reformas, por exemplo, na educação e no setor do petróleo.

• Colômbia: Segundo turno — Santos x Zuluaga. A questão das FARCs será um divisor. Economia é outra.

• Argentina: Buscando saídas. Eleições de 2015 são importantes e necessárias. Mudanças à vista: a popularidade da presidente está em queda.

• Uruguai: Tabaré Vasquez deve voltar. Mujica, com a legalização da maconha, traz grande incentivo ao debate desse tema polêmico.

• Chile: Crescimento menor e reformas com Bachelet, inclusive de fundos de pensão.

• Venezuela: Situação complexa — números negativos e Maduro sob enorme pressão.

• Peru: Popularidade de Humala está em baixa, porém números continuam positivos.

Terminei citando dois pensamentos do Barão de Itararé (Aparício Torelli):

“O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar esses nós.”
“Não é triste mudar de ideias. Triste é não ter ideias para mudar.”


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