Techs latino-americanas fazem sucesso no venture capital

Aportes de grandes fundos na região neste ano já superam investimentos no sudeste asiático



Techs latino-americanas fazem sucesso no venture capital
Apenas no primeiro semestre deste ano as startups de tecnologia da América Latina receberam 6,5 bilhões de dólares, se aproximando de mercados enormes como o da Índia | Imagem: freepik

Alguns problemas crônicos e comuns a vários países latino-americanos — como burocracia excessiva e falta de acesso da população a serviços rápidos e eficientes — acabaram se transformando no motivo do sucesso de startups de tecnologia fundadas na região nos últimos anos. Ao identificar gargalos e oferecer soluções, elas não só conquistaram os clientes locais como fizeram fundos gigantes de venture capital abrirem os cofres para investimentos. Segundo dados da Global Private Capital Association, citados numa reportagem do jornal britânico Financial Times, os fundos de venture capital globais aportaram 4,1 bilhões de dólares na América Latina em 2020, bem mais que os 3,3 bilhões de dólares investidos no sudeste asiático, tradicional destino de recursos para startups. 

Ainda de acordo com esse levantamento, apenas no primeiro semestre deste ano as startups de tecnologia da América Latina receberam 6,5 bilhões de dólares, se aproximando de mercados enormes como o da Índia (8,3 bilhões de dólares de janeiro a junho). Assim, os países latino-americanos se transformam nas novas estrelas para o venture capital entre os emergentes. A campeã de aportes continua sendo a China. 

Quantidade e qualidade 

O desenvolvimento desse ecossistema na América Latina tem muito a ver com as escolhas de grandes fundos de venture capital — como os do japonês Softbank e do argentino Kaszek Ventures, o maior de seu segmento na América Latina — e com uma enorme quantidade de startups nascidas na região na última década e meia, muitas delas com operações de alta qualidade e que resolvem dificuldades básicas de seus públicos-alvo. Esse ponto, aliás, representa uma particularidade latino-americana, originada de suas próprias dores: na região, em vez de as startups de tecnologia simplesmente replicarem modelos de sucesso gestados no Vale do Silício, elas se debruçaram sobre maneiras de facilitar a vida de seus clientes. 

Assim, os maiores destaques em termos de valuation são o brasileiro Nubank (prestes a colocar na rua uma oferta inicial de ações que deve levar seu valuation à estratosférica cifra de 50 bilhões de dólares) e a varejista argentina Mercado Livre (avaliada em aproximadamente 79 bilhões de dólares). O primeiro abriu as portas para milhões de pessoas que, barradas pelas burocracias e exigências de renda dos bancos tradicionais, não tinham acesso a serviços bancários dos mais corriqueiros. A segunda serviu como uma resposta regional à avalanche representada pela Amazon.  

Mas também atraem os olhares dos investidores de venture capital operações como a do Quinto Andar, que recentemente alcançou o posto de unicórnio. A empresa faz intermediação de locações e vendas de imóveis sem exigir a montanha de papéis que habitualmente envolve essas transações, além de oferecer aos locadores a garantia de pagamento dos aluguéis em caso de inadimplência dos inquilinos — tudo online. A mexicana Kazak lançou um serviço de intermediação de compra e venda de carros usados que tenta eliminar a dor de cabeça comum nesse tipo de operação. A depender do apetite do venture capital, as startups têm tudo para continuar melhorando a vida dos latino-americanos. 

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