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Sucesso em números, open finance ainda está longe do ideal
Ecossistema brasileiro criado por compartilhamento de dados de clientes dos bancos é destaque internacional. Ainda falta, contudo, alcançar o propósito de aumentar e baratear a oferta de serviços financeiros
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No primeiro ano do open finance, o Brasil obteve feitos que o Reino Unido, pioneiro na tecnologia, levou cinco anos para conseguir | Imagem: Freepik

O open finance no Brasil completou dois anos no último dia 1º de fevereiro e a ocasião trouxe uma série de reflexões sobre como o sistema de compartilhamento de dados evoluiu por aqui. O projeto brasileiro ganhou reconhecimento internacional pelo alcance que obteve em tão pouco tempo. De acordo com dados do Banco Central, mais de 15 milhões de clientes das instituições financeiras já estão inseridos no ecossistema. Os consentimentos ativos, número de vezes em que os usuários aceitam compartilhar seus dados, chegam a 22 milhões. 


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Só no primeiro ano do open finance, o Brasil obteve feitos que o Reino Unido, considerado pioneiro na tecnologia, levou cinco anos para conseguir. Entre eles, a marca de 5 milhões de consentimentos. O dado está no último relatório Global Open Finance Index, que estuda a evolução do ecossistema em 23 países. Na avaliação da comunidade global Open Banking Excelence, que faz o relatório em parceria com a Universidade de Oxford, o Brasil tem potencial para assumir a liderança global do segmento, podendo ultrapassar os britânicos já nos próximos dois anos.  

Mais de 800 instituições financeiras participam do open finance no Brasil, incluindo os bancos, fintechs e as cooperativas de crédito. De acordo com a pesquisa Fintech Deep Dive, da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), atualmente, 72% das startups do setor financeiro desenvolvem soluções alinhadas ao open banking, por entenderem que suas potencialidades não foram totalmente exploradas.  

Mais “banking” do que “finance” 

Ao exaltar os progressos obtidos com o open finance, o Banco Central cita melhorias na qualidade de avaliação de crédito e da portabilidade de recursos. Também destaca a criação de alguns produtos, como os agregadores financeiros, que permitem que o cliente tenha um maior controle sobre seus investimentos em diferentes bancos. Contudo, o regulador admite que o ecossistema ainda não conseguiu atingir realmente o objetivo de aumentar e baratear a oferta de serviços financeiros.   

“Os maiores efeitos do open finance, como a redução da assimetria de informação e a promoção da concorrência, serão percebidos ao longo do tempo, de forma gradual. Esses dois primeiros anos foram necessários para a estruturação desse ecossistema e a definição de uma agenda evolutiva”, afirmou João André Pereira, Chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro, João André Pereira, em entrevista ao UOL. 

De maneira geral, quem acompanha o desenvolvimento do open finance no País faz uma avaliação positiva sobre a aderência dos usuários ao compartilhamento de dados. Mas há também uma percepção de que falta clareza sobre que tipo de vantagem o correntista de um banco tem ao permitir que suas informações sejam trocadas com outras instituições financeiras, por exemplo. Aumento de limites de crédito e taxas de juros menores são alguns dos benefícios que têm sido oferecidos. A assertividade é importante, pois os consentimentos duram 12 meses e será necessário pedir uma nova autorização do usuário quando esse prazo terminar.  

Próximos passos 

O maior desafio é deixar o ecossistema menos “banking” e mais “finance”, ampliando seu escopo para que outros segmentos, como seguros, câmbio, previdência e até produtos não bancários, também possam entrar na dinâmica de compartilhamento de dados.  

O open finance, hoje, está em sua terceira fase, marcada pela implementação dos iniciadores de transação de pagamentos (ITPs). O mecanismo permite, por exemplo, que o consumidor possa realizar a compra em um site sem precisar emitir um boleto, digitar dados de cartão de crédito ou acessar o aplicativo do banco para fazer um PIX. A ordem de pagamento sai da própria página onde a compra está sendo feita, chega na instituição onde o cliente tem conta e o banco transfere o valor ao lojista. Essa ferramenta não só dá agilidade à operação, como também evita que o comprador mude de ideia e desista da aquisição.  

As expectativas para o open finance em 2023 são positivas, pois espera-se que novas instituições passem a fazer parte do ecossistema de forma voluntária. Afinal, o dado compartilhado ajuda as empresas a entender melhor o seu cliente e otimizar a oferta de produtos. Mas, dificilmente, esta será uma dinâmica lucrativa já neste ano.  

Houve muito dinheiro colocado em infraestrutura do open finance para um número ainda reduzido de produtos e benefícios oferecidos. O investimento não se paga, pelo menos por enquanto. Se o Brasil confirmar sua posição de liderança no segmento e demandas regulatórias não tirarem o fôlego dos participantes do ecossistema, é só uma questão de tempo para o open finance provar sua real relevância.   

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