Rumo ao mainstream: o futuro das criptomoedas em 2021

Bitcoin passou a ser considerado um ativo viável em tempos de incertezas



Bitcoin passou a ser considerado um ativo viável em tempos de incertezas

Bitcoin passou a ser considerado um ativo viável em tempos de incertezas / Imagem: macrovector – Freepik

O ano começa com uma espécie de volta por cima do bitcoin. Criptomoeda até recentemente vista com desconfiança, valorizou-se notáveis 270% em 2020. De cerca de 7 mil dólares no início de janeiro do ano passado, um único bitcoin passou a valer 28,9 mil dólares em 31 de dezembro — e continua a escalar. Na última sexta-feira, dia 8, chegou a atingir 41 mil dólares. A alta da criptomoeda fica ainda expressiva quando se converte os valores para reais (por causa da alta do dólar no Brasil), chegando a 390%. O cenário mais uma vez enseja prognósticos e expectativas em torno do comportamento do bitcoin nos próximos 12 meses.

Evidentemente, é difícil cravar uma resposta, mas o clima em geral é de otimismo. “Não imagino que exista qualquer motivo para esse movimento se encerrar. Ele deve continuar ao longo deste ano. A próxima barreira é a dos 50 mil dólares”, afirma Safiri Felix, diretor da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

Rali do bitcoin

O bitcoin foi criado em 2009, em meio à crise financeira global, por Satoshi Sakamoto, pseudônimo de um sujeito até hoje não identificado. Na época, ele desenvolveu apenas 50 criptomoedas — agora chamadas de “bloco gênese” — na tentativa de revolucionar o sistema financeiro por meio de algo completamente disruptivo: uma moeda descentralizada, ancorada em uma rede autônoma (blockchain) e, portanto, livre do controle de governos e bancos centrais. Só em 2013 o bitcoin passou a chamar a atenção do mercado: foi quando seu preço ultrapassou 400 dólares, algo considerado impressionante na época.

Em meio a uma enorme amplitude de altas e quedas bruscas ao longo dos últimos anos, a criptomoeda encontrou solo fértil em 2020: uma crise econômica de origem sanitária sem precedentes, um forte aumento de liberação de recursos dos Estados para as economias e taxas de juros caindo para mínimas históricas. Esse contexto levou muitos investidores a buscar retornos no bitcoin e a enxergá-lo como uma reserva de valor. Em outras palavras, aparentemente a criptomoeda está deixando a margem do sistema financeiro para adentrar o mainstream dos investimentos.

João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex, gestora focada em criptomoedas, concorda com essa percepção. “O ano de 2020 foi excepcional para as criptomoedas, muitos players entraram para esse mercado. Só quem é extremamente otimista teria apostado em um desempenho melhor do que esse há um ano”, avalia.

O bitcoin contornou até as sempre presentes suspeitas de bolha, afastadas em estudos recentes. De maneira geral, a empolgação de investidores tem sido respaldada por órgãos reguladores e instituições financeiras tradicionais, que buscam tornar as criptomoedas mais seguras e acessíveis. Um exemplo é o Federal Reserve (Fed, banco central americano), que informou em 2020 que passaria a autorizar os clientes a ter criptomoedas em seus portfólios.

Igualmente influenciaram a alta no preço do bitcoin iniciativas de grandes companhias, como a anunciada pelo PayPal em outubro passado. A empresa de pagamentos seguirá a sua concorrente, a Square, e permitirá que seus clientes adquiram e guardem bitcoins e outras criptomoedas em seus sistemas. “Nossa decisão foi resultado de conversas com autoridades governamentais e do fato de estarmos vendo uma mudança impressionante em direção aos pagamentos digitais, resultado da pandemia”, afirmou Dan Schulman, diretor-executivo do PayPal, em comunicado à imprensa. Cerca de 1 milhão de pessoas — volume três a quatro vezes superior ao que a companhia esperava — entraram na lista de espera para usar criptomoedas.

Expectativas para criptomoedas

No curto prazo, no entanto, não se pode descartar um movimento de correção do bitcoin. Mas, para aqueles investidores com foco no longo prazo, especialistas defendem que a alta observada recentemente tem diferenças significativas em relação à valorização que ocorreu em 2017, quando a moeda subiu até quase 20 mil dólares e depois perdeu mais da metade de seu valor em apenas um mês. Há três anos, o bitcoin foi impulsionado pelo investidor pessoa física — hoje, quem está por trás disso são investidores institucionais, cuja alocação de recursos é feita após uma avaliação mais criteriosa. “O fluxo comprador é bem maior, porque são os grandes bancos e corretoras de Wall Street que estão adquirindo bitcoin”, avalia Felix, da ABCripto. 

Com esse cenário em vista, alguns apostam alto nesse mercado. André Franco, analista responsável pela carteira Crypto Legacy, diz que o bitcoin pode crescer cinco vezes em 2021. “No atual padrão de halving, a mineração de novos bitcoins deixa a inflação da criptomoeda abaixo da inflação americana, o que favorece a tese de um ativo escasso”, pondera Franco, referindo-se a um jargão do mercado de criptomoedas que designa o evento, a cada quatro anos, que reduz à metade a recompensa dos mineradores como forma de diminuir a oferta de novas criptomoedas. “Usando a lei de oferta e demanda, essa seria a principal razão para o preço subir, já que todo dia ‘faltam’ bitcoins”, explica.

E ele não está sozinho no otimismo. Segundo pesquisa do Deutsche Bank, 12% dos investidores apostam que o preço do bitcoin pode passar de 100 mil dólares até o fim de 2021. Entretanto, 41% dos entrevistados têm uma visão mais moderada: acreditam que a criptomoeda chegará a valer, no máximo, 50 mil dólares neste ano.

Enquanto a atenção da maioria recai sobre o bitcoin, traders e investidores especializados nesse mercado voltam os olhos para outros criptoativos que também subiram de valor ao longo dos últimos 12 meses — como a ethereum e a chainlink — e prometem continuar em alta. Apostar para ganhar em criptomoedas, porém, ainda é certamente uma tarefa arriscada.

 

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