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Retorno com dividendos tem o pior resultado em 21 anos

 

Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

 

A vida dos caçadores de dividendos não está fácil. Neste ano, a mediana da rentabilidade com proventos dos acionistas que compraram ações no mercado brasileiro ficou em 1,11%. O dado foi apurado pela Economatica com base nos dividendos e juros sobre capital próprio (JSCP) pagos pelas companhias de capital aberto nos 12 meses encerrados em 15 de julho. Trata-se do pior percentual desde o início da série histórica, em 1995, quando foi de 1,63%. “O resultado foi influenciado principalmente por queda dos lucros, baixa atividade operacional, retração econômica e taxas de juros elevadas”, afirma Felipe Silveira, analista da Coinvalores. Ele também atribui o desempenho ruim à suspensão de distribuição de dividendos por algumas companhias, como Petrobras e Eletrobras.

Em comparação com o mercado americano, as ações brasileiras sempre se destacaram por gerar rentabilidade superior ao acionista com pagamento de dividendos e JSCP. Porém, 2016, assim como 1995, é exceção. Neste ano, o dividend yield das ações americanas atingiu 1,29% e, há 21 anos, foi de 2,73%.

Analista chefe da Planner, Mario Roberto Mariante afirma que a superioridade do retorno brasileiro em relação ao americano tem basicamente duas explicações, que relativizam essa vantagem. Primeiro: dividend yield alto não significa, necessariamente, que as companhias estejam repassando mais dinheiro aos investidores, pois o resultado desse indicador (calculado por meio da divisão entre o valor do dividendo e o preço da ação) tende a se elevar em períodos de desvalorização dos papéis. Segundo, é preciso considerar questões culturais. “A legislação brasileira exige que as companhias distribuam, no mínimo, 25% dos lucros sob a forma de dividendos, enquanto os americanos têm outra mentalidade. Eles preferem não receber dividendos para que a companhia reinvista o dinheiro na sua atividade”, explica.

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Na visão de Henrique Kleine, analista chefe da Magliano, esta não é a hora de as empresas pensarem em repassar lucros. “Estamos vivendo um período de transição e recuperação, um momento para as companhias fazerem caixa”, observa. Segundo ele, a situação só deve melhorar com uma definição sobre o cenário político. “Ainda pode demorar para as empresas voltarem a ter os resultados de antes, e os efeitos práticos devem surgir apenas em 2018 ou 2019, com a nova eleição presidencial.”

De acordo com Kleine, os três setores com melhores perspectivas para pagamento de dividendos são energia, siderurgia e bancos. “O governo [liderado por Dilma Rousseff] promoveu mudanças que contribuíram para as dificuldades financeiras das elétricas, mas, por terem uma receita mais previsível, elas tendem a se recuperar”, avalia. Já Silveira, da Coinvalores, diz acreditar que, com o possível avanço das privatizações, as empresas hoje estatais podem gerar resultados melhores no futuro, contribuindo para o aumento da distribuição de dividendos.


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