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Investidores pressionam laboratórios de vacinas
Assets sugerem que remuneração de executivos seja atrelada à equidade na distribuição de imunizantes
Investidores sugerem que remuneração de executivos seja atrelada à equidade na distribuição de vacinas
Investidores sugerem que remuneração de executivos seja atrelada à equidade na distribuição de vacinas — Imagem: freepik

É o que talvez se possa chamar de preocupação ESG na prática. Na semana passada, um grupo formado por gestoras de recursos globais e investidores institucionais divulgou uma carta destinada às principais fabricantes de vacinas contra a covid-19 pedindo esforços para uma disponibilidade menos desigual dos imunizantes. Um total de 65 signatários se dirigiu aos boards de Pfizer, Moderna, Johnson&Johnson e AstraZeneca solicitando que uma maior equidade na distribuição das vacinas passe a integrar a política de remuneração dos executivos. Seria uma maneira de incentivar as empresas a se empenhar mais na oferta para países mais pobres.

A realidade ampara a reivindicação dos investidores: enquanto nações ricas como Estados Unidos, Reino Unido e Israel avançam na vacinação com a dose de reforço e até uma quarta aplicação (isso sem falar na imunização de crianças), nem 8% dos 1,3 bilhão de africanos completou o esquema de duas doses. Na visão dos signatários, que juntos têm cerca de 3,5 trilhões de dólares sob gestão, “é evidente que atualmente uma parcela expressiva da população mundial ainda não tem acesso suficiente e equitativo às vacinas”, segundo um trecho da carta.

“Uma pandemia que continua fora de controle em muitas partes do mundo está no topo de nossa agenda como investidores globais e igualmente deveria estar na de governos e companhias nas quais investimos”, completa o texto.

Risco de novas variantes

O alerta fica ainda mais robusto quando se lembra que a desigualdade vacinal, segundo os cientistas, abre mais possibilidades para o surgimento de novas variantes do vírus — cujos perigos o tsunami da ômicron está mostrando, inclusive para a recuperação econômica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerava uma meta necessária que todos os países terminassem 2021 com pelo menos 70% de suas respectivas populações vacinadas com duas doses, mas o percentual não atingiu nem 40% na média, principalmente por causa de falta de oferta. Daí o papel fundamental das farmacêuticas no fornecimento.

Segundo o grupo de investidores — integrado por nomes como BMO, GAM e Nomura —, as companhias deveriam priorizar a destinação de suas vacinas para consórcios como o Covax e o African Vaccine Acquisition Trust, além de fomentar transferência de tecnologia, incluindo direitos de licenciamento.

Atender ao pedido seria uma acertada estratégia de longo prazo, defendem os signatários. “Priorizar um acesso equitativo às vacinas em detrimento de lucros de curto prazo não só seria a atitude mais ética como também a abordagem de longo prazo mais sustentável para o próprio negócio dos laboratórios”, ressalta Alex Rowe, da Nomura Asset Management. A gestora holandesa Achmea, uma das coordenadoras da carta, afirma que nas assembleias de fabricantes de vacinas das quais participar vai votar contra qualquer pacote de remuneração de executivos que não integre esses objetivos.

Mas existe um limite claro para que as empresas atendam os pedidos: dentre os signatários, o que tem maior fatia de capital nesse setor é a canadense BMO, que detém 0,3% da Pfizer. Embora sejam barulhentos, esses investidores ainda têm pouco peso como sócios para fazer a diferença nas companhias, pelo menos no curto prazo.

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