Instabilidade política não interrompe onda de IPOs

Apesar da polêmica em torno do teto de gastos, 37 empresas estão na fila para listagem na bolsa

Captação de recursos/Reportagens / 28 de agosto de 2020
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Instabilidade política não interrompe onda de IPOs

Imagem: katemangostar | Freepik

quebraounãoquebraotetodegastos que tem dominado Brasília nos últimos dias azedou o humor dos investidores, o dólar subiu e o Ibovespa quase perdeu a marca de 100 mil pontos. A polêmica, no entanto, não teve força suficiente para amenizar a recente onda de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), que se mantém firme e crescenteDepois de um período de represamento decorrente da pandemia, as operações voltaram na prática e nos planos: em 2020 oito empresas — três a mais do que no ano passado — já chegaram à bolsa e outras 37 têm processos encaminhados. 

Apenas nesta semana, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebeu seis pedidos de abertura de capital. A varejista Havansegundo especulações do mercado, pretende levantar 10 bilhões de reaisJá o BV (antigo Banco Votorantim) tem a intenção de retomar pedido de registro de oferta na CVM que havia sido suspenso em março por causa da pandemia. O plano original envolvia a captação de 5 bilhões de reaisA Companhia Siderúrgica Nacional confirmou a pretensão de promover um IPO da CSN Mineração, mas ainda sem revelar datas e valores.   

A retomada dos IPOs tem correlação direta com o fato de o juro básico estar na mínima história de 2% ao ano — uma taxa tão baixa impulsiona os investidores, tanto institucionais quanto de varejo, a procurar alternativas para engordar os retornos. Os investidores brasileiros, por sinal, têm se destacado nas ofertas primárias. Foi o que aconteceu, por exemplo, no IPO da empresa de serviços industriais Prinerem que a participação de estrangeiros correspondeu a apenas 3% da oferta, e na listagem da rede de estacionamentos Estapar (6% de estrangeiros)Os investidores locais representaram pelo menos 50% dos compradores em cinco de seis IPOs feitos em 2020 na B3 (nas duas operações restantes, de Aura e Grupo Soma, não foi divulgada a proporção de investidores conforme sua origem). 

“Estamos observando um momento de liquidez muito forte, impulsionado por uma realocação da poupança interna”, afirma o advogado Jean Arakawa, assessor de ofertas e sócio do escritório Mattos Filho. Com um universo ainda pequeno de companhias na bolsa, a demanda dos investidores por novos ativos continua forte e tem sido suficiente para manter o otimismo entre os emissores, segundo Arakawa. “São muitas as empresas interessadas em abrir capital ainda neste ano e no início de 2021. Mas não é possível prever o que vai acontecer nos próximos meses. Se houver uma mudança de conjuntura, o investidor pode perder o apetite e algumas dessas listagens podem continuar no papel, observa. 

Gleidson Leite, gestor de renda variável da Western Asset no Brasil, vai na mesma linha. “Hoje o que mais afeta o mercado de capitais não é a pandemia, e sim o grande risco de que o País ceda à solução de curto prazo e deixe a âncora fiscal de lado. Mantidos os juros baixos, este momento de pré-retomada da economia é o ideal para as empresas conseguirem os retornos mais interessantes ao longo do tempo”, argumenta. Já Alexandre Póvoa, fundador da Valorando Consultoria, é mais cético e diz que a crise causada pelo novo coronavírus não pode ser descartada das análises. “No boom dos IPOs em 2007 o Brasil apresentava um crescimento econômico muito forte, com condições mais sustentáveis para aberturas de capital do que vemos agora. Atualmente o que segura a bolsa é apenas a baixa taxa de juros”, opina. 

Não se vê, no entanto, sinais de bolha especulativa. “O investidor de varejo e o institucional não estão entrando em papéis a qualquer preço. O que existe é uma conjuntura de pouca seletividade, em que algumas empresas entram no mercado a preços relativamente altos”, destaca Póvoa. Na avaliação de Leite, ofertas infladas são comuns em momentos de explosão no mercado primário. “Aconteceu em 2007 e não seria diferente agora. Toda vez que se forma uma onda de IPOs existem empresas com histórias fracas que tentam surfar junto com as outras. Cabe aos investidores fazer essa distinçãocompleta. 


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