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Como funcionam os investimentos em startups

Startups não são apenas empresas inovadoras de tecnologia. Todo empreendimento com capacidade de oferecer produtos ou serviços repetidamente sem aumento proporcional de custos operacionais, que seja escalável, atraia o interesse de um grande número de pessoas e tenha potencial de gerar lucro se enquadra como startup. Esse negócio pode, inclusive, já estar funcionando ou não. “O importante mesmo é o potencial que ele tem para crescer aceleradamente”, explica Fábio Póvoa, professor de Lean Startup & Empreendedorismo na Unicamp e co-fundador da Movile.

Independentemente do tipo, toda startup precisa de investimentos para sobreviver e prosperar. Esses aportes geralmente seguem ciclos que acompanham o crescimento do negócio. “Não há uma regra e nem todos os empreendimentos passam por todos os estágios. Do ponto de vista do capital de risco, entretanto, normalmente as startups buscam uma escada saudável de captação – captações de valores em rounds maiores, com valuation compatíveis, para sustentar o crescimento acelerado de um negócio com unit economics positivos.”, afirma Póvoa. Essa “escada” consiste em:

  1. Investimento anjo, feito exclusivamente por pessoas físicas com aportes que somam até um milhão de reais;
  2. Investimento semente (seed capital) feito por pessoa física ou por fundos de investimento com aportes de até cinco milhões de reais;
  3. Investimento institucional, quando o modelo de negócio, produto e mercado consumidor já estão definidos. Ele varia entre as séries A, B, C e D, em ordem crescente de capitalização, que atinge até 30 milhões de reais, promovidos exclusivamente por fundos de investimento;
  4. Empresa é vendida ou vira companhia recebendo investimentos de private equity acima de 30 milhões de reais;
  5. IPO, a empresa abre capital e vira uma companhia aberta.

“A gasolina sozinha não leva ninguém para a Lua sem o foguete (produto) e uma ótima equipe de execução (empreendedores)”, afirma  Fábio Póvoa

Segundo Póvoa, o primeiro degrau de captação, embora envolva uma quantia menor de dinheiro, é o mais importante. “Sem ele, a startup morre. Além do capital, o investidor anjo agrega boas práticas de gestão e amadurecimento para o negócio e para o empreendedor”, ressalta. Esse investidor também pode indicar novos clientes, oferecer uma análise externa do produto, promover a marca e contribuir para a sua credibilidade. “Mas não é isso que determina o sucesso do negócio. A gasolina sozinha não leva ninguém para a Lua sem o foguete (produto) e uma ótima equipe de execução (empreendedores)”, alerta Póvoa.

Outro papel importante que o investidor anjo pode exercer é o de líder de rodadas de captação. Nesse caso, o líder realiza a análise, curadoria, validação e aposta na startup, sinalizando-as como bons negócios para potenciais co-investidores. Póvoa destaca que a esta figura do investidor líder deveria ser mais valorizada, “É mais fácil o empreendedor convencer um ótimo investidor líder, de referência, do que suar para contatar, negociar, se reunir e convencer outros 20, 30, cada um com seu timing. Assim como ocorre com clientes de referência, converta um primeiro que aposte e sinalize credibilidade, e te auxilie a buscar outros”.

 

Devido aos riscos atrelados ao investimento em startups, Póvoa recomenda que os interessados nesse segmento montem carteiras com até dez startups e invistam, em média, dez mil reais em cada uma. O objetivo dessa diversificação é que, em oito anos, pelo menos algumas dessas empresas gere um retorno dez vezes maior. Em grande parte dos casos, ao aportar recursos em startups, o investidor amarga prejuízo (quando a empresa quebra) ou recebe de volta o dinheiro aportado (quando a startup para de crescer e captar investimentos, mas ainda é lucrativa). Nos casos em que o empreendimento decola, os investidores podem alienar sua participação para investidores institucionais pelo valor de mercado atualizado do negócio ou, se a empresa abrir capital, vender sua fatia na bolsa de valores.