Demora da GP para lançar OPA desagrada BR Properties

Em dezembro passado, em meio ao turbilhão gerado pela prisão do banqueiro André Esteves no âmbito da Operação Lava Jato, a GP lançou suas cartas para arrematar a BR Properties. Até então, a companhia especializada na exploração de imóveis comerciais de alto padrão tinha o BTG Pactual como principal …



Ilustração: Grau 180.com.

Ilustração: Grau 180.com.

Em dezembro passado, em meio ao turbilhão gerado pela prisão do banqueiro André Esteves no âmbito da Operação Lava Jato, a GP lançou suas cartas para arrematar a BR Properties. Até então, a companhia especializada na exploração de imóveis comerciais de alto padrão tinha o BTG Pactual como principal acionista. Para fazer caixa diante da crise, o banco colocou parte de suas ações à venda, o que fez com que a gestora de private equity aumentasse sua participação para 12,19% e lançasse uma oferta pública de aquisição de ações (OPA). O negócio segue a passos lentos e a BR Properties, antes mesmo de ser comprada, já demonstra insatisfação com a nova acionista.

Inicialmente, a GP tinha até o dia 11 de fevereiro para oficializar a oferta. O prazo de 60 dias, contados a partir do anúncio de intenção, está previsto na Instrução 361 — nesse período, a compradora tem que publicar o edital da OPA ou anunciar que desistiu da operação por um prazo de seis meses. A gestora, no entanto, pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um prazo adicional de 45 dias. E conseguiu. Agora, tem até o dia 28 de março para cumprir as exigências.

A BR Properties não gostou da notícia. No dia 5 de fevereiro, a área de relações com investidores da companhia enviou uma carta à CVM com duras críticas ao processo. Alega que a companhia não foi informada sobre o pedido de extensão do prazo, que a deixará em compasso de espera durante todo o primeiro trimestre. A empresa ainda argumenta que a demora “causa grande incerteza nos investidores, na administração da companhia e no mercado em geral”. Uma das consequências, afirma, foi a redução da liquidez de seus papéis, que provocou a saída das ações da carteira teórica
do Ibovespa.

Além disso, a BR Properties voltou aos pontos que, no anúncio de dezembro, já haviam chamado a atenção de seus conselheiros: o fato de a GP ainda não ter comprovado capacidade financeira para fazer a OPA (conforme exigência da Lei das S.As.) e a indefinição em relação ao veículo que figurará como detentor do controle.

A CVM, apesar de ter concedido o prazo adicional, exigiu da GP uma série de esclarecimentos, que foram prestados pela companhia no dia 11 de fevereiro. A gestora contesta a conclusão de que a demora tenha provocado a saída das ações do Ibovespa — diz que a redução da liquidez ocorreu com mais intensidade entre os meses de março e abril de 2015, portanto, antes do anúncio da OPA. A GP informa também que o GP Real Properties IIC, fundo de private equity sediado em Delaware (EUA), constituído com objetivo exclusivo de comprar ações da BR Properties, será o novo controlador. A gestora afirma ainda já ter o aval do Cade para prosseguir com a OPA e que o Itaú BBA será o assessor financeiro da oferta.

O ponto-chave, no entanto, é a captação de recursos para a realização da OPA. A GP diz estar em “fase avançada de negociação” com o THB JV, indiretamente controlado pelo fundo soberano de Abu Dhabi (Abu Dhabi Investment Authority – Adia).

O caso BR Properties-GP é apenas mais um a integrar a lista das OPAs cada vez mais demoradas do mercado de capitais brasileiro. A própria GP listou ofertas anunciadas a partir de 2014 que levaram mais de 100 dias entre o anúncio ao mercado e a publicação do edital. A relação das operações arrastadas contempla 12 OPAs, entre elas as de Providência (427 dias), Bic Banco (332 dias), Dasa (245 dias) e Somos Educação (225 dias).


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