Big four refutam compartilhamento de auditorias

Governo do Reino Unido propõe que essas empresas prestem serviços junto com firmas menores



Ideia do governo do Reino Unido é encontrar um caminho para reforçar atuação das firmas menores
Proposta do governo do Reino Unido visa instituir uma espécie de auditoria compartilhada (managed shared audits), o que desagradou Deloitte, EY, KPMG e PwC | Imagem: freepik

Como parte central de uma ampla reforma do sistema de auditoria das maiores companhias abertas do país, o governo do Reino Unido recentemente apresentou ao mercado local uma proposta mal recebida pelas maiores firmas desse segmento — Deloitte, EY, KPMG e PwC, grupo também conhecido pela alcunha “big four”. A ideia seria instituir uma espécie de auditoria compartilhada (managed shared audits), sistema em que uma das grandes encabeçaria um pool com firmas menores para prestação dos serviços de auditoria de grandes empresas listadas. 

A reformulação parte da constatação do governo de que essa atividade é excessivamente concentrada nas big four, numa dinâmica que não permite o crescimento e a conquista de know how por firmas menores. Forçar Deloitte, EY, KPMG e PwC a compartilhar seus serviços, nessa perspectiva, contribuiria para quebrar uma predominância de mercado que é considerada indesejável. Mas o caminho não deve ser fácil, como destacou em junho o presidente do Financial Reporting Council (FRC, órgão regulador de auditoria e contabilidade do país), sir Jon Thompson, dada a falta de apoio de stakeholders. 

Quase um monopólio 

Os números dão uma sinalização do grau de concentração. Todas as empresas listadas no índice FTSE 100, da Bolsa de Valores de Londres, contratam uma das big four para fazer suas auditorias estatutárias. Mesmo num universo maior de companhias abertas — como as listadas no FTSE 250 — as quatro firmas são responsáveis por 90% das auditorias. Essa baixíssima diversidade, inclusive, já suscitou preocupações quanto à possibilidade de essas empresas acabarem ficando grandes demais para quebrar. “Too big to fail”, vale lembrar, foi uma expressão bastante usada na crise de 2008, quando autoridades tiveram que salvar empresas quebradas simplesmente para evitar que os problemas tivessem um efeito sistêmico. 

As big four se recusaram, em manifestações no mês passado, a apoiar a ideia do compartilhamento na audiência pública aberta pelo governo. A avaliação geral é de que esse não seria o melhor caminho para diminuir sua presença no mercado. A KPMG, por exemplo, disse não haver evidências de que a auditoria compartilhada vai melhorar a qualidade do serviço — numa referência a uma crítica comum aos trabalhos (muitos lembram que as big four chegaram a avalizar números de empresas que em pouco tempo colapsaram, como Carillion e Thomas Cook). Segundo a firma, o sistema pode gerar retrabalho e eventualmente aumentar custos para as empresas contratantes. Já a Deloitte observou que o mecanismo criaria dificuldades práticas e, no limite, diminuiria a atratividade do mercado do Reino Unido para novas listagens. 

A alternativa à managed shared audit, afirmaram as grandes firmas, seria o estabelecimento de um teto para a quantidade de auditorias de empresas listadas que cada uma das big four poderia se comprometer. 

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