Energia de sobra

Com a G&G como sócia, a empresa familiar A Geradora tornou a dívida administrável e fez a receita crescer

Reportagem/Private Equity - Coletânea de casos 2013 / 1 de agosto de 2013
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A marca d&rsquoA Geradora, amarela e azul, é vibrante como a Bahia, estado onde ela nasceu. Criada em 1989 com o objetivo de alugar geradores para obras e eventos na região do Recôncavo, a companhia está presente, hoje, em 15 estados brasileiros. Entre esses dois pontos da história, serviu grandes clientes, como Vale e Petrobras, e passou a fornecer energia para camarotes do carnaval soteropolitano. Porém, os empréstimos que alimentaram esse apetite de crescimento logo cobraram a fatura, e a família Moreira concluiu que a sua empresa precisava de ajuda. Não apenas financeira.

Durante os anos 2000, o crescimento da receita operacional girava na casa dos 30% ao ano. Somente entre 2009 e o ano seguinte, o faturamento líquido médio cresceu 60%, atingindo R$ 13 milhões por mês. O desempenho deixara muitos empresários eufóricos, mas a família controladora tinha um problema: a dívida havia dobrado nesse intervalo, fechando 2010 em R$ 157 milhões. “A empresa estava no limite da capacidade de investimento”, lembra Rogério Reis, diretor da companhia. De acordo com ele, cada R$ 1 de crescimento na receita operacional demandava R$ 2 em investimentos. Já em 2010, A Geradora não conseguiria produzir caixa para bancar o endividamento, ampliar o patrimônio e manter a taxa de expansão da receita.

Isso ganha peso quando se sabe que a atividade da companhia é intensiva em capital. O valor dos seus geradores a diesel varia muito: os mais robustos, com 1875 kVA de potência aparente, custam cerca de R$ 700 mil; os mais simples, de 2 kVA, são comprados na faixa de R$ 30 mil. Boa parte das mais de 10 mil máquinas no portfólio da companhia segue o mesmo padrão. É o caso das minicarregadeiras (R$ 90 mil) e das plataformas aéreas (entre R$ 50 mil e R$ 700 mil), que substituem os andaimes em operações de risco.

Se optassem por seguir sozinhos, os Moreira deixariam A Geradora em posição delicada, sujeita a ser encaçapada por alguma concorrente do setor e, consequentemente, ficar restrita aos mesmos mercados. O interesse da companhia, contudo, era cada vez mais participar de licitações para prover equipamentos a outros setores, como a infraestrutura.

Decidida a continuar grande, a empresa recebeu à mesa 16 gestoras de fundos de capital de risco, nos primeiros meses de 2010. “A posição do controlador era muito clara: A Geradora precisava de um sócio que ajudasse na administração”, lembra Reis. Era preciso profissionalizar o negócio. O primeiro passo foi contratar a consultoria em fusões e aquisições IGC Partners para encontrar o parceiro ideal. Após dez meses de negociações, a escolha recaiu sobre a gestora Governança & Gestão Investimentos (G&G). Por R$ 55 milhões, o fundo capitaneado pelo ex-ministro do Planejamento Antônio Kandir encarteirou 22% do capital social de A Geradora. “Recebemos muitas gestoras especializadas em mercado financeiro, mas a G&G tinha o diferencial que procurávamos. Seus profissionais eram experientes na gestão de empresas”, explica Reis. O conselho de administração foi montado após a chegada da G&G.

Os fundos de pensão são os principais cotistas da carteira, que trocou de mãos depois de uma mudança societária na gestora — desde o início de 2013, quem responde pelo investimento é a Angra Partners. Capitalizada, A Geradora conseguiu ampliar a atuação: no Norte do País aluga máquinas para os canteiros de obras das hidrelétricas em construção; no Sudeste, aumentou sua presença ao comprar a paulista Poliservice, em meados de 2012. Foi com os equipamentos obtidos nessa transação que a empresa iluminou a edição mais recente da São Paulo Fashion Week.

O reflexo desse brilho pôde ser visto nos resultados de 2012. A receita operacional média atingiu R$ 16,6 milhões ao mês, o dobro do registrado em 2009, antes da entrada do capital de risco. O patrimônio líquido também aumentou: foi de R$ 60 milhões, em 2011, para R$ 188 milhões. E a dívida, que havia duplicado entre 2009 e 2010, cresceu 20% ao ano no biênio seguinte, fechando 2012 em R$ 190 milhões. Além disso, a gestão profissionalizada tornou-a mais administrável, alongando o seu perfil com uma debênture de cinco anos que representa 42% do endividamento total.

“O momento é de expansão do mercado de aluguel de geradores. Os grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada, contribuem muito para isso”, afirma Reis. No tabuleiro da companhia baiana não faltam boas perspectivas.




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