Companhias do setor de construção desmoronam com a crise

O setor de construção atravessa uma fase turbulenta. Ao fim do pregão de 11 de abril, as nove incorporadoras integrantes do Índice Imobiliário (Imob) da BM&FBovespa — Cyrela, Even, Eztec, Gafisa, Helbor, MRV, PDG, Rossi e Tecnisa — valiam, conjuntamente, R$ 14,54 bilhões. O montante é bem menor do …

Seletas/Edição 26/Reportagem / 15 de abril de 2016
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Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

O setor de construção atravessa uma fase turbulenta. Ao fim do pregão de 11 de abril, as nove incorporadoras integrantes do Índice Imobiliário (Imob) da BM&FBovespa — Cyrela, Even, Eztec, Gafisa, Helbor, MRV, PDG, Rossi e Tecnisa — valiam, conjuntamente, R$ 14,54 bilhões. O montante é bem menor do que a capitalização de mercado dessas empresas no encerramento do primeiro trimestre de 2011, de R$ 38,52 bilhões. “Nesses cinco anos, o setor conviveu com um paradoxo. Mesmo vendendo vários imóveis a preços altos, as incorporadoras não se tornaram rentáveis, pois enfrentaram problemas de execução e planejamento, além de aumento nas despesas”, explica o professor de negócios imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) Ricardo Rocha Leal.

Alguns desses obstáculos foram fruto de ações equivocadas das próprias incorporadoras. Ansiosas por mostrar resultados aos acionistas, elas espalharam canteiros de obras por todo o País, sem calcular adequadamente os riscos de uma eventual mudança no cenário econômico — não imaginavam, por exemplo, que em pouco mais de dois anos a Selic passaria de 7,25% (seu menor patamar histórico) para 14,25% ao ano ou que a concessão de crédito imobiliário iria minguar.

Outra consequência da corrida das construtoras para lançar empreendimentos foi a disparada dos preços dos terrenos, dos insumos e da mão de obra — aumento devidamente repassado para os imóveis. Entre janeiro de 2008 (início da série histórica do índice FipeZap) e março de 2015, o preço médio do metro quadrado anunciado na cidade de São Paulo, o maior mercado do País, saltou de R$ 2,6 mil para R$ 8,6 mil, uma alta de 225%. “Os valores subiram muito e, agora, é necessária uma adaptação à nova realidade de capacidade de pagamento dos clientes”, observa a coordenadora de projetos da construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo.

Essa adaptação, contudo, tem efeito direto sobre os resultados das empresas. Para se livrar das unidades empacadas, as companhias têm oferecido aos compradores descontos entre 10% e 20%. “Mas, nos imóveis devolvidos às incorporadoras, esse percentual pode atingir 30%”, ressalta Leal, da Faap. Como consequência, a margem bruta do setor vem caindo. De acordo com o J.P.Morgan, a queda foi de 31,4% em 2015, ante recuo de 32,2%, em 2014.

Na tentativa de encontrar um equilíbrio em meio à crise, as incorporadoras reduziram em 19,3% o número de lançamentos em 2015 em comparação com 2014, totalizando 60.274 unidades. Os dados são da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que reúne informações de 19 grandes companhias do setor, em parceria com a Fipe. Algumas construtoras como Eztec, Even, PDG e Rossi foram mais longe nos cortes, a ponto de ficarem um ou mais trimestres de 2015 sem colocar um novo projeto sequer na praça. Nos cálculos do J.P.Morgan, o valor geral de vendas (VGV) no ano passado somou R$ 10,7 bilhões, quase metade do registrado em 2014 (R$ 18,2 bilhões).


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Tags:  Construção Crédito imobiliário imóveis incorporadoras Imob Setor de construção Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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