Bovespa Mais é o destino principal de candidatas à abertura de capital

Seletas / Edição 8 / Bolsas e conjuntura / Reportagem / 20 de novembro de 2015
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Ilustração: Grau 180.com.

Ilustração: Grau 180.com.

O êxito do Bovespa Mais, destinado às companhias de médio porte, é constantemente colocado em xeque. Desde a sua criação, em 2005, apenas Nutriplant e Senior Solution aderiram ao segmento e fizeram IPOs. A falta de operações, no entanto, vem sendo compensada pelas listagens sem oferta — a Bolsa permite o ingresso das novatas, desde que elas se comprometam a realizar um IPO em até sete anos. Oito companhias já abraçaram a ideia, e em breve, o grupo ganhará novas integrantes.

A listagem sem oferta tornou-se uma solução atrativa após a reforma da Instrução 476 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desde 2014, a autarquia passou a dispensar de registro as ofertas de ações e de debêntures conversíveis, quando destinadas a até 50 investidores qualificados. A norma dá celeridade à venda de ações, mas não garante a mesma velocidade no rito de listagem. Assim, a entrada prévia na bolsa de valores transformou-se num trunfo importante para as empresas que desejam manter o contato com o mercado para, diante de uma janela de oportunidade, captar recursos por meio da venda de ações. Segundo Cristiana Pereira, diretora de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa, há quatro companhias em processo de ingresso no Bovespa Mais atualmente.

Outras podem juntar-se a elas em breve. No dia 27 de outubro, durante o 10o Fórum de Abertura de Capital, a BM&FBovespa apresentou ao mercado outras cinco candidatas ao Bovespa Mais: a construtora You,Inc; a Gera, fornecedora de soluções para empresas que trabalham com vendas diretas; a Time Now, que atua no gerenciamento e na implantação de plantas industriais; a Labtest, produtora de reagentes para laboratórios de análises clínicas; e o abatedouro de aves GTFoods.

A You,Inc, ao contrário das demais empresas participantes do fórum, mantém contato estreito com o mercado de capitais. Por ser uma sociedade anônima de capital aberto listada na categoria B da CVM, a construtora tem autorização para emitir títulos de dívida. Em fevereiro, fez uma oferta de R$ 65 milhões em debêntures por meio da Instrução 476. Entre seus acionistas está a gestora de private equity Paladin, dona de cerca de 20% do capital. “O que falta (para emitir ações) é a oportunidade de mercado”, avalia Eduardo Muskat, diretor da companhia.

No caso da GTFoods, a listagem no Bovespa Mais pode ser trocada por uma ida direto ao Novo Mercado. Porte para isso a empresa tem. No ano passado, o abatedouro de aves registrou receita operacional líquida de R$ 1,3 bilhão. Para 2016, a meta é atingir R$ 1,8 bilhão e, até 2020, tornar-se a terceira maior empresa do segmento. A decisão entre se listar no Bovespa Mais ou no segmento máximo de governança corporativa da Bolsa vai depender da necessidade de financiamento. Segundo o CFO da GTFoods, Vitor Bellizia, caso a companhia precise de uma oferta de ações superior a R$ 500 milhões para colocar em prática os planos de crescimento e também para dar liquidez ao fundador, a opção deve ser pelo Novo Mercado.

Realizado desde 2002, o fórum apresentou ao mercado cerca de 40 companhias. Seis já abriram o capital: Company, Bematech, CSU CardSystem, Microsiga (atual TOTVS), Lupatech e Datasul. Outras receberam aportes de fundos de private equity ou foram vendidas.

Conheça as empresas candidatas à abertura de capital

Gera
Oferece ferramentas de gestão para empresas com canais de vendas diretas e seus revendedores. Jequiti, Natura, O Boticário e Belcorp estão entre suas clientes. Atuante no Brasil e em outros seis países da América Latina, a Gera mira a listagem no Bovespa Mais.

GTFoods Group
Abatedouro de frangos sediado em Maringá (PR). Fundada em 1992, a empresa atingiu receita operacional líquida de R$ 1,3 bilhão no ano passado. É o quarto maior do segmento, atrás de BRF, JBS e Aurora. Seu objetivo é listar-se na BM&FBovespa em 2016 e, posteriormente, fazer uma oferta primária e secundária de ações. Tanto o Bovespa Mais quanto o Novo Mercado estão nos planos.

Labtest
Fundada em 1971, é a maior indústria brasileira de reagentes e equipamentos para laboratórios de análises clínicas. Em 2014, seu faturamento líquido foi de R$ 65 milhões. De seu parque industrial em Lagoa Santa (MG) saem mais de 300 milhões de testes, vendidos no Brasil e na América Latina.

Time-Now
Consultoria de engenharia especializada na implantação de projetos. Fundada em 1996, em Vitória (ES), tem entre seus clientes empresas como Klabin, International Paper, Fibria, Suzano, Vale, Braskem e Gerdau. Seu objetivo é listar-se no Bovespa Mais no próximo ano, mas não há planos de uma oferta de ações.

You,Inc
Construtora focada em empreendimentos residenciais compactos, localizados em São Paulo e com valor unitário de até R$ 750 mil. Foi criada em 2009 por Abrão Muszkat, fundador e ex-sócio da Even, e tem a gestora de private equity Paladin entre seus acionistas. Em fevereiro, emitiu R$ 65 milhões em debêntures.



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