Bovespa Mais é o destino principal de candidatas à abertura de capital

Seletas / Edição 5 / Bolsas e conjuntura / Reportagem / 16 de dezembro de 2015
Por 


Ilustração: Grau 180.com.

Ilustração: Grau 180.com.

O êxito do Bovespa Mais, destinado às companhias de médio porte, é constantemente colocado em xeque. Desde a sua criação, em 2005, apenas Nutriplant e Senior Solution aderiram ao segmento e fizeram IPOs. A falta de operações, no entanto, vem sendo compensada pelas listagens sem oferta — a Bolsa permite o ingresso das novatas, desde que elas se comprometam a realizar um IPO em até sete anos. Oito companhias já abraçaram a ideia, e em breve, o grupo ganhará novas integrantes.

A listagem sem oferta tornou-se uma solução atrativa após a reforma da Instrução 476 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desde 2014, a autarquia passou a dispensar de registro as ofertas de ações e de debêntures conversíveis, quando destinadas a até 50 investidores qualificados.
A norma dá celeridade à venda de ações, mas não garante a mesma velocidade no rito de listagem. Assim, a entrada prévia na bolsa de valores transformou-se num trunfo importante para as empresas que desejam manter o contato com o mercado para, diante de uma janela de oportunidade, captar recursos por meio da venda de ações. Segundo Cristiana Pereira, diretora de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa, há quatro companhias em processo de ingresso no Bovespa Mais atualmente.

Outras podem juntar-se a elas em breve. No dia 27 de outubro, durante o 10º Fórum de Abertura de Capital, a BM&FBovespa apresentou ao mercado outras cinco candidatas ao Bovespa Mais: a construtora You,Inc; a Gera, fornecedora de soluções para empresas que trabalham com vendas diretas; a Time Now, que atua no gerenciamento e na implantação de plantas industriais; a Labtest, produtora de reagentes para laboratórios de análises clínicas; e o abatedouro de aves GTFoods.

A You,Inc, ao contrário das demais empresas participantes do fórum, mantém contato estreito com o mercado de capitais. Por ser uma sociedade anônima de capital aberto listada na categoria B da CVM, a construtora tem autorização para emitir títulos de dívida. Em fevereiro, fez uma oferta de R$ 65 milhões em debêntures por meio da Instrução 476. Entre seus acionistas está a gestora de private equity Paladin, dona de cerca de 20% do capital. “O que falta (para emitir ações) é a oportunidade de mercado”, avalia Eduardo Muskat, diretor da companhia.

No caso da GTFoods, a listagem no Bovespa Mais pode ser trocada por uma ida direto ao Novo Mercado. Porte para isso a empresa tem. No ano passado, o abatedouro de aves registrou receita operacional líquida de R$ 1,3 bilhão. Para 2016, a meta é atingir R$ 1,8 bilhão e, até 2020, tornar-se a terceira maior empresa do segmento. A decisão entre se listar no Bovespa Mais ou no segmento máximo de governança corporativa da Bolsa vai depender da necessidade de financiamento. Segundo o CFO da GTFoods, Vitor Bellizia, caso a companhia precise de uma oferta de ações superior a R$ 500 milhões para colocar em prática os planos de crescimento e também para dar liquidez ao fundador, a opção deve ser pelo Novo Mercado.

Realizado desde 2002, o fórum apresentou ao mercado cerca de 40 companhias. Seis já abriram o capital: Company, Bematech, CSU CardSystem, Microsiga (atual TOTVS), Lupatech e Datasul. Outras receberam aportes de fundos de private equity ou foram vendidas.

Conheça as empresas candidatas à abertura de capital

Gera
Oferece ferramentas de gestão para empresas com canais de vendas diretas e seus revendedores. Jequiti, Natura,
O Boticário e Belcorp estão entre suas clientes. Atuante no Brasil e em outros seis países da América Latina, a Gera mira a listagem no Bovespa Mais.

GTFoods Group
Abatedouro de frangos sediado em Maringá (PR). Fundada em 1992, a empresa atingiu receita operacional líquida de R$ 1,3 bilhão no ano passado. É o quarto maior do segmento, atrás de BRF, JBS e Aurora. Seu objetivo é listar-se na BM&FBovespa em 2016 e, posteriormente, fazer uma oferta primária e secundária de ações. Tanto o Bovespa Mais quanto o Novo Mercado estão nos planos.

Labtest
Fundada em 1971, é a maior indústria brasileira de reagentes e equipamentos para laboratórios de análises clínicas. Em 2014, seu faturamento líquido foi de R$ 65 milhões. De seu parque industrial em Lagoa Santa (MG) saem mais de 300 milhões de testes, vendidos no Brasil e na América Latina.

Time-Now
Consultoria de engenharia especializada na implantação de projetos. Fundada em 1996, em Vitória (ES), tem entre seus clientes empresas como Klabin, International Paper, Fibria, Suzano, Vale, Braskem e Gerdau. Seu objetivo é listar-se no Bovespa Mais no próximo ano, mas não há planos de uma oferta de ações.

You,Inc
Construtora focada em empreendimentos residenciais compactos, localizados em São Paulo e com valor unitário de até R$ 750 mil. Foi criada em 2009 por Abrão Muszkat, fundador e ex-sócio da Even, e tem a gestora de private equity Paladin entre seus acionistas. Em fevereiro, emitiu R$ 65 milhões
em debêntures.


Quer continuar lendo?

Você já leu {{limit_offline}} conteúdo(s). Gostaria de ler mais {{limit_online}} gratuitamente?
Faça um cadastro!

Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 36/mês!
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} reportagens gratuitas

Seja um assinante!

Você atingiu o limite de reportagens gratuitas. Que tal se tornar nosso assinante? Além do acesso ao mais especializado conteúdo do mercado de capitais, você terá descontos de até 30% em nossos encontros e cursos. Aproveite!


Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Bovespa Mais IPO Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Investidores cobram transparência sobre atuação política de petroleiras
Próxima matéria
The man who sold bonds




Recomendado para você




Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Leia também
Investidores cobram transparência sobre atuação política de petroleiras
Os investidores socialmente responsáveis (conhecidos como ESG, na sigla em inglês) estão de olho na atuação política...