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“Continuamos animados e investindo”
Anderson Thees

Tanto os fundos de venture capital quanto os de private equity têm um objetivo comum: a compra de fatias de empresas com potencial de crescimento. Mas há diferenças fundamentais entre essas categorias — oposições, de fato, em alguns aspectos. “O que é receita de sucesso em um é considerado tabu no outro”, diz Anderson Thees, diretor-executivo da Redpoint eventures, joint venture brasileira das conhecidas gestoras do Vale do Silício Redpoint e e.ventures. Para Thees, o ciclo mais recente de investimentos mostra-se muito mais positivo para os fundos de venture capital do que para os de private equity, apesar (ou por causa) da crise. “O venture capital geralmente é um investimento em empresas de alto crescimento, que oferecem produtos e serviços inovadores e que promovem eficiência. Numa crise, a demanda por eficiência se mantém ou aumenta”, justifica. O executivo participou, nesta semana, da 3ª Conferência Brasileira de Venture Capital promovida pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap). A seguir, os principais trechos de entrevista concedida à SELETAS.

Crise como aliada

“No ciclo mais recente, os investimentos em venture capital prometem se sair melhor do que os de private equity.
O motivo aparente é simples: o venture capital geralmente é um investimento em empresas de alto crescimento, que oferecem produtos e serviços inovadores e que promovem eficiência. Numa crise, a demanda por eficiência se mantém ou aumenta. Já o private equity costuma ser um investimento em empresas com receita e lucratividade conhecidas, mais estáveis, e tendem a sofrer mais do que uma startup. Exceções são os investimentos em distressed assets, que também dão bons resultados apesar — ou até por causa — de uma crise.”

Pingo nos “is”

“A percepção dos investidores institucionais é bastante clara: o Brasil representa uma ótima oportunidade no longo prazo. Tudo se estabilizando, essa percepção deve se renovar e se fortalecer, dado que o País terá superado testes importantes de suas instituições. A imagem do Brasil hoje, em relação à das vésperas do impeachment e da Olimpíada, é incrivelmente melhor. Ainda temos muito a consertar, mas já foram superadas etapas importantes. O Brasil está colocando os pingos nos ‘is’. O País é a maior economia da América Latina e tende à liderança em investimentos em venture capital e private equity, e o fato de outros mercados despontarem, como México e Colômbia, é uma ótima notícia. É mais importante a região toda crescer do que o Brasil liderar o tempo todo.”

Setores

“Nosso fundo nasceu em agosto de 2012, com US$ 130 milhões. Temos 25 investimentos. O foco está nos setores de fintech, educação, saúde, varejo e soluções para pequenas e médias empresas, além de tecnologia pura e serviços. Não fizemos nenhum desinvestimento, já que o fundo dura até 2022. Nosso ritmo é ditado pela qualidade das oportunidades e, sobretudo, das equipes fundadoras, o que só tem melhorado. Continuamos animados e investindo. Algumas conversas com empreendedores estão em estágio avançado e há boa chance de fecharmos negócio ainda em 2016.”

Demanda variada

“Os investidores do nosso primeiro fundo são todos internacionais, dos Estados Unidos e da Europa. Mas temos visto uma nova demanda local, tanto de detentores de grandes fortunas quanto de corporações brasileiras. A impressão é de que o pool de clientes será mais equilibrado no futuro. Investidores asiáticos também marcam presença, o que é uma novidade.”

Outros emergentes

“Em relação aos outros países emergentes, o Brasil é um mercado promissor, com marco legal bem definido e democrático. Ao que parece, a indústria está prestes a alcançar a maturidade, e os preços dos ativos estão baratos em comparação a cinco anos atrás. O número de empresas se destacando no nosso portfólio está acima da média global. Mas os ciclos são longos. Só teremos certeza de fizemos bons negócios depois de começarmos as saídas, daqui a cinco anos.”


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