Capital paciente

Eduardo Samara

Relevo / Edição 141 / 1 de maio de 2015
Por 


capital-pacienteO momento conturbado da economia brasileira não inibe o apetite da General Atlantic pelo País. Com US$ 20 bilhões sob gestão, a gestora americana de “growth capital” continua a fazer negócios por aqui. Em 2014, atuou como investidora-âncora do único IPO do ano, o da Ourofino, e comprou uma participação na Sistema Ari de Sá (SAS). Em 2013, tornou-se sócia da Smiles e da Linx — nesta última, já vendeu sua participação. Há, ainda, XP e BM&FBovespa em seu portfólio de companhias brasileiras. Em entrevista à Relevo, Eduardo Samara, diretor geral da General Atlantic, explica por que o cenário macroeconômico ruim não é um problema para a gestora.

Perspectiva para o Brasil
“A General Atlantic concentra-se em mercados em desenvolvimento [além de estar presente no Brasil, possui escritórios na Índia, em Cingapura e na China]. Fazemos isso por enxergar grande potencial de crescimento em diversos setores da economia desses mercados e, consequentemente, de suas empresas. Nossa base de capital de longo prazo [a gestora obtém recursos de fundações, endowments e famílias abastadas] nos permite ter a flexibilidade de um horizonte de investimento maior; durante esse prazo, é comum atravessarmos ciclos de baixo crescimento econômico. Assim, continuamos bastante focados na busca de novos investimentos no Brasil.”

Contra o mau tempo
“Conseguimos continuar investindo ativamente em tempos de recessão ou volatilidade, tanto pela questão de prazo como pelo foco em teses de investimento que acabam tendo uma correlação menor com o desempenho da economia em geral. Nossa estratégia busca empresas impactadas positivamente por tendências setoriais que, independentemente do crescimento macroeconômico, venham a favorecê-las.”

Análise setorial
“Possuímos uma abordagem matricial que combina experiência setorial com especialização geográfica. No Brasil, estamos ativos nos nossos cincos segmentos globais de atuação: serviços financeiros, saúde, varejo e consumo, internet e tecnologia, e serviços. Importante destacar que, em todos eles, sempre buscamos empresas que utilizam a tecnologia como um fator de diferencial competitivo nos mercados em que atuam.”

Relação de parceria
“Somos investidores minoritários e temos como principal objetivo ajudar os empreendedores e as empresas de que somos sócios a crescer e a lidar com os desafios oriundos dessa expansão. Dessa forma, nos posicionamos como parceiros das investidas, ajudando no que for preciso, mas não como um sócio que visa alterar a gestão. Como temos um histórico de investimentos em tecnologia, esta acaba sendo uma área dos negócios em que naturalmente nos envolvemos bastante.”

Desinvestimentos
“Realizamos investimentos com uma perspectiva de ao menos cinco anos, mas estamos sempre abertos a considerar alternativas estratégicas antes desse prazo. Os desinvestimentos que ocorreram num período inferior [entre dois e três anos] foram de empresas cuja performance excepcional as levou a fazer IPO antes do esperado [situação vivida pela Linx]. Ou aquelas que, quando iniciaram o processo de abertura de capital, foram abordadas por outros fundos de investimento com interesse em adquirir seu controle [casos de Aceco TI e Qualicorp]. Nesses contextos, optamos por acompanhar a decisão do empreendedor e sair antes do plano.”

Estratégia geográfica
“A maioria dos nossos investimentos na América Latina está em empresas brasileiras, mas olhamos outros países. Recentemente, abrimos um escritório no México. Por lá, compramos uma participação na Sanfer, uma das maiores farmacêuticas do país. Temos, ainda, investimentos na colombiana Sura Asset Management, gestora de recursos com presença em diversos países da América Latina, e na argentina Decolar.com, que também possui ampla atuação na região. Em média, 10% a 20% do capital arrecadado pela General Atlantic tem sido destinado à América Latina.”

Foto: Régis Filho




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