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“A maior inovação financeira da história”
Uma improvável mistura de pesquisa acadêmica com iconoclastas de Wall Street virou do avesso o jogo do investimento em ações
“A maior inovação financeira da história”
Em Trillions, o jornalista Robin Wigglesworth, do britânico Financial Times, desvenda os bastidores da inovação que Wall Street combateu até se render à força do próprio mercado | Imagem: freepik

Em 2006, Warren Buffett, lendário investidor conhecido por seu longo histórico de excelentes retornos, posições concentradas e de longo prazo, lançou um desafio no mínimo curioso: ele apostou 1 milhão de dólares que nenhum fundo de hedge bateria o retorno composto do índice S&P500 nos dez anos seguintes. Um ano depois, um gestor de fundos respondeu graciosamente ao desafio e os dados foram lançados. Devemos lembrar que Buffett, mesmo sendo investidor, nesse caso não apostava em sua própria habilidade para vencer o mercado.

Em Trillions, o jornalista Robin Wigglesworth, do britânico Financial Times, desvenda os bastidores da inovação que Wall Street combateu até se render à força do próprio mercado. Estamos falando da criação, nascimento e desenvolvimento dos fundos de índice (index funds) e sua versão mais moderna, os ETFs (exchange traded funds).

Hoje é possível elencar vários Nobel de Economia associados a essa ideia (Harry Markowitz, Eugene Fama, William Sharpe, entre outros), mas nas décadas de 1960 e 1970 eles eram ilustres desconhecidos, unidos pela ideia “herege” de que mesmo os melhores investidores teriam dificuldade para bater o mercado no longo prazo. Nessa época foram publicados os primeiros papers acadêmicos sobre o tema, graças aos dados compilados pela Universidade de Chicago e ao maior acesso aos computadores. Entram em cena, então, os iconoclastas de Wall Street, liderados por Jack Bogle, o fundador da Vanguard, que veio desmistificar e democratizar o investimento em fundos diversificados de baixo custo — a essência da vantagem dos fundos de índice sobre os fundos de investimento tradicionais.

O resto é história. O segmento de investimento passivo já administra cerca de 20 trilhões de dólares somente nos Estados Unidos, tendo disseminado o acesso a veículos que entregam melhores retornos com custo mais baixo a milhões de investidores, poupando bilhões em performance, custos de transação e taxas de gestão. No entanto, como em muitas situações na vida, esse sucesso estrondoso provoca alguns efeitos colaterais preocupantes. Entre eles, a questão da governança corporativa em um ambiente de controle pulverizado. Se os fundos passivos são donos da maior parte do capital de uma empresa, como buscar representação relevante nos conselhos de administração para equilibrar o poder dos executivos sobre o negócio? O próprio Bogle, no ocaso de sua vida, questionava o tamanho desse Leviatã.

Voltando ao divertido desafio de Buffett, o resultado foi uma sonora goleada aplicada pelo S&P500 no gestor de fundos: 126% versus 36% em dez anos, o que resultou em uma vultosa contribuição para uma instituição de caridade. Embora a ideia de que é melhor investir “na média” (isto é, no retorno do mercado como um todo) pareça esdrúxula (“Quem se contenta com a média? Isso é antiamericano!”, diziam, à época), o argumento final vem de um lugar improvável, o golfe: “O que você acha de atingir o par do campo, com consistência?”

Obs.: A frase que dá título a esse texto foi dita pelo ex-presidente do FED Paul Volcker (ele também classificou os ATMs no topo do ranking)


Peter Jancso é sócio da Jardim Botânico Investimentos e conselheiro independente


Trillions: How a Band of Wall Street Renegades Invented the Index Fund and Changed Finance Forever
Robin Wigglesworth
Portfolio
352 páginas
1a edição ― 2021

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