Culpada ou inocente?

Especialistas discutem o peso da regulação na decisão das empresas de abrir o capital nos EUA

Internacional / 21 de maio de 2017
Por 


Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

Diretor financeiro da gestora Sequoia Capital, Chris Cooper afirma que constantemente conversa com executivos de companhias listadas e que percebe haver um consenso: as exigências regulatórias “melhoraram as companhias”. A declaração de Cooper, feita durante um fórum organizado pela Securities and Exchange Commission (SEC) e pela New York University (NYU) no último dia 10, contraria as afirmações da administração Trump — e de boa parte da comunidade acadêmica — de que a crescente regulação incomoda as empresas, a ponto de fazê-las desistir de abrir o capital.

No fórum, outros motivos foram citados como responsáveis pelo desânimo das companhias. Um dos principais é a abundância de dinheiro proveniente de fontes além do mercado de ações, como fundos de private equity e hedge funds, por exemplo. Além disso, Michael Piwowar, comissário da SEC, observou que, em várias indústrias, as empresas precisam crescer muito rápido para atender a demanda criada pela globalização e, por isso, acabam preferindo ser adquiridas por uma grande corporação. Com isso, descartam a bolsa de valores como canal de captação de recursos.

Análises à parte, é expressiva a queda no número de IPOs nos Estados Unidos. Em 1996, um recorde de 677 empresas buscou o mercado de ações para se capitalizar. Dez anos depois, em 2006, foram 157 e, em 2016, 74. Para Frank Hatheway, economista-chefe da Nasdaq, o mercado de capitais americano está estruturado de forma muito conveniente para grandes empresas, mas não é tão convidativo para as pequenas.


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