Precisamos mesmo de um unicórnio?

Bimestral / Informe / Edição 155 / 7 de maio de 2017
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Já há algum tempo é evidente no ecossistema brasileiro de empreendedorismo e venture capital que existe uma enorme expectativa em relação ao surgimento do primeiro unicórnio brasileiro — uma startup que seja avaliada em pelo menos US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos, uma venda estratégica ou uma oferta pública de ações. Com o recente IPO da Netshoes na bolsa de Nova York e com o aporte estimado de cerca de US$ 100 milhões da Didi/Riverwood na 99, o debate voltou à tona com mais força.

Levantamento feito por uma consultoria especializada mostra que há hoje no mundo aproximadamente 190 unicórnios — ao menos metade nos Estados Unidos e perto de 25% na China.

Poderíamos nos ancorar em diversos argumentos e fatores para tentar justificar as razões pelas quais as startups brasileiras não conseguem (ou não conseguiram ainda) virar unicórnios. Em vez disso, entretanto, preferimos levantar uma outra questão: o aparecimento de uma startup bilionária é mesmo o fator mais relevante para que o ecossistema de empreendedorismo inovador brasileiro dê o próximo salto ou isso será somente uma das consequências de uma indústria já amadurecida? Em outras palavras, perguntamos se os unicórnios são um “meio” ou um “fim”.

Não há dúvidas de que a aparição de um unicórnio nos próximos meses será/seria muito celebrada e trará/traria uma dose elevada de entusiasmo e ânimo para a indústria, favorecendo o surgimento de novos — e ainda melhores — empreendedores. Todavia, a sabedoria popular já diz que “uma andorinha só não faz verão”. Ou seja, mais importante do que o aparecimento de uma empresa com um valuation bilionário, é a recorrência de saídas de sucesso, mesmo que não sejam bilionárias. E a boa notícia é que as saídas milionárias têm começado a acontecer.

Não à toa os americanos lideram em número de unicórnios. Os dados mais recentes da indústria de venture capital dos Estados Unidos divulgados pela National Venture Capital Association são uma demonstração. Lá, somente durante o ano de 2016, foram feitos 39 IPOs de startups e cerca de 720 outras saídas, que movimentaram perto de US$ 45 bilhões. Importante notar que, mesmo com esses números impressionantes, o ano de 2016 foi qualificado como “desafiador” para as saídas de venture capital.

Portanto, é a constância de saídas de sucesso o principal fator que movimenta o mercado de startups, inovação e venture capital e que mantém a indústria ativa, trazendo novos atores, fazendo os recursos circularem mais rapidamente e atraindo capital anteriormente alocado em investimentos tradicionais (uma vez que há maior liquidez para o investidor de venture capital).

Olhando para o nosso ainda imaturo ecossistema, vemos que, para avançar ao próximo nível, melhor do que termos um “astro rei bilionário” brilhando sozinho seria construirmos um céu estrelado de saídas de sucesso, de preferência bem brilhantes — são elas que certamente atrairão o tão sonhado unicórnio tupiniquim. É uma questão de tempo.


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