Ancestrais dos black blocs

Histórias/Edição 122 / 1 de outubro de 2013
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Em 24 de outubro de 1991, a privatização da Usiminas causou manifestações tumultuadas

Em outubro de 1991 ainda não existiam, ou pelo menos assim não se intitulavam, os black blocs. Mas seus predecessores e táticas se fizeram presentes no dia 24 daquele mês, data da privatização da Usiminas, a primeira do ciclo Collor. A violência tomaria conta da Praça XV de Novembro, sede da Bolsa do Rio. Aparentemente, em nenhum momento havia mais de 500 manifestantes.

As primeiras faixas com dizeres contrários à privatização surgiram ao redor de 11h. Assim também, as habituais bandeiras e estandartes, predominantemente vermelhos, das organizações que participariam da manifestação. Havia ainda representantes de outras correntes, como anarquistas, com seus símbolos negros, e neonazistas, de um autodenominado Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro. As extremidades ideológicas encontravam sua convergência na velha praça colonial. A massa de ativistas foi engrossando em frente às grades de ferro e aos militares enfileirados, que compunham o cordão de isolamento.

Ao meio-dia, um desempregado vestindo macacão tentou ultrapassar as barreiras. A Polícia Militar reagiu, atingindo o manifestante com cassetetes. Seguiu-se, então, a primeira onda de tumultos, e uma intensa chuva de pedras caiu sobre as fileiras policiais. Por via das dúvidas, já com algumas vitrines quebradas, a partir desse primeiro confronto o comércio das imediações fechou as portas, para só reabrir no dia seguinte.

Cinco minutos antes do início da licitação, aconteceu a segunda torrente de desordem. Os manifestantes se concentraram em frente ao carro de som gritando palavras de ordem. Outro grupo tentou derrubar a grade de isolamento, bradando ofensas ao presidente da República: “Collor, ladrão, fascista e entreguista”. Nova chuva de pedras contra as forças de segurança foi respondida com artefatos de efeito moral. Os ativistas se deslocaram em direção à Rua Primeiro de Março, obstruindo as pistas de rolamento e promovendo um quebra-quebra em ônibus e automóveis que ainda circulavam.

Quando os executivos começaram a deixar o prédio da Bolsa do Rio, após o leilão, iniciou-se a terceira onda de violência e balbúrdia. Mais uma tentativa de invasão da área bloqueada e outra saraivada de pedras provocaram a reação da polícia, que avançou contra os manifestantes, encurralando-os. Eles então se deslocaram em passeata rumo à Avenida Rio Branco, na qual apedrejaram uma agência do BankBoston, e à Cinelândia, onde, ao cair da tarde, encerraram o protesto nas escadarias da Biblioteca Nacional.

Sejam black blocs, sejam seus avoengos, como diria Roberto Campos, a “história se repete com cruel monotonia”.


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