Uma agenda de governança para os anos 2020: Parte 1

Dez implicações das transformações do século 21 para os conselhos de administração

Governança Corporativa/Governança / 10 de janeiro de 2020
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Dez implicações das transformações do século 21 para os conselhos de administração

Ilustração: Rodrigo Auada

O mundo hoje passa por enormes transformações tecnológicas, ambientais e sociais. O conselho tem um papel-chave na adaptação das empresas a águas tão turbulentas, uma vez que sua missão é assegurar o sucesso de longo prazo da organização. Há dez implicações centrais das mudanças sobre os conselhos. Nesta coluna abordo seus impactos sobre papel e composição do órgão; na próxima, trato de funcionamento e cultura.

 Papel do conselho

  1. Mais foco no futuro, menos no passado

Os conselhos devem passar a gastar mais tempo discutindo questões estratégicas voltadas ao futuro do que em temas operacionais do dia a dia ou passado recente, como o tradicional “orçado vs. realizado”. Apesar de cada organização ter sua especificidade, uma boa meta seria gastar ao menos 70% do tempo das reuniões com temas relacionados a riscos e direcionamentos futuros. Esse objetivo não é fácil, já que muitos conselhos tendem a dedicar seu tempo a controles, análise retrospectiva de indicadores financeiros e temas jurídicos ou operacionais.

  1. Novas pautas, com ênfase no fator humano

É preciso passar a discutir com a devida qualidade temas emergentes do século 21, como propósito, valores e cultura da organização; estilos de liderança; saúde mental de colaboradores; gestão do capital humano; criação de ambiente propício à motivação intrínseca e à inovação; riscos disruptivos e cibernéticos; gestão e proteção dos dados; inteligência artificial; e digitalização da economia. É essencial dar concretude a esses temas, com a criação de indicadores objetivos para acompanhamento contínuo.

  1. Otimização do tempo

Incluir novos temas em reuniões de conselho já abarrotadas de matérias é muito desafiador. Para aprimorar sua produtividade, é preciso trabalhar na otimização do tempo. Isso significa analisar com rigor matemático onde ele está sendo consumido. É preciso refletir regularmente: como o conselho está gastando seu tempo? Como idealmente deveria estar gastando? O que deve ser feito para eliminar essa lacuna?

Composição do conselho

  1. Equilíbrio entre expertise em temas emergentes e experiência setorial

Para discutir com profundidade os temas emergentes, são necessárias novas expertises em questões humanas e tecnológicas. Os conselhos devem selecionar membros familiarizados com temas como cultura organizacional, capital humano, liderança, tecnologia digital, ciência de dados, segurança cibernética, questões sociais e ambientais. Isso não significa que as experiências tradicionalmente demandadas pelos conselhos se tornarão irrelevantes. O importante é achar o equilíbrio entre expertises em temas emergentes e experiência setorial, financeira e de gestão.

  1. Diversidade com inclusão e familiaridade

Os novos tempos exigem novas perspectivas. Muito se tem falado de diversidade nos conselhos, para ampliar a pluralidade de visões e torná-los mais sintonizados às demandas da sociedade. É preciso avançar do debate solto para a ação. Para os conselhos que já avançaram na diversidade, vem a segunda etapa: criar um ambiente inclusivo no qual todos os membros, como os mais jovens ou pertencentes a minorias, sejam ouvidos.

Uma ressalva: deve-se avançar na diversidade e inclusão, mas sem perder a familiaridade entre os conselheiros, que proporciona coesão e espírito de grupo. É um trade-off delicado, já que o excesso de proximidade pode dificultar a manifestação de divergências ou questionamentos junto aos membros que não contribuem a contento.


Prof. Dr. Alexandre Di Miceli da Silveira é fundador da Direzione Consultoria e autor de Ética Empresarial na Prática: Soluções para a Gestão e Governança no Século XXI. O articulista agradece a Angela Donaggio pelos comentários e sugestões.


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