Nos EUA, 47% dos conselheiros atuam em uma só empresa

Governança / Edição 40 / 1 de dezembro de 2006
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Recente estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC) revela que quase a metade dos conselheiros de administração (47%) das companhias listadas nos Estados Unidos atua em apenas uma companhia, e um total de 78% deles optam por exercer esse papel em, no máximo, duas empresas. Intitulada “O que os conselheiros pensam”, a pesquisa faz parte do Fifth Annual Survey 2006, que ouviu 1.300 profissionais presentes em 2.000 companhias públicas da Nyse, Nasdaq e American Stock Exchange.

Segundo Catherine Bromilow, responsável pelo grupo de governança corporativa na PwC, o resultado mostra que essa limitação é a forma que os conselheiros vêm encontrando para dedicar mais atenção às suas responsabilidades em cada companhia. Contudo, ela aponta que essa tendência tem dois efeitos opostos. Afinal se, no passado, faziam-se críticas ao fato de os conselheiros trabalharem em muitas empresas, agora é hora de perguntar se a postura de ocupar apenas uma cadeira não compromete o intercâmbio de conhecimento. A preocupação recai, sobretudo, para os conselheiros que estão em apenas uma companhia.

O estudo inclui perguntas sobre a atuação desses profissionais. Sobre a avaliação de sua performance, 86% afirmaram que são monitorados regularmente e 59% deles disseram que implementam iniciativas com base nesses resultados. Também em 59% dos casos o trabalho é analisado por um consultor interno, contra apenas 15% que buscam uma opinião externa. Outros 14% contam tanto com a opinião de um membro da empresa como de um externo.

A performance dos conselhos tem ganhado importância dentro das companhias nesses últimos anos, principalmente depois das exigências da Nyse nesta área, aponta TK Kerstetter, presidente do conselho corporativo da PwC. “Os conselhos que conduziram sua avaliação de um modo sério, isto é, sem vê-la apenas como uma tarefa para atender aos quesitos de listagem na bolsa, têm encontrado uma ferramenta muito valiosa para o trabalho”, afirma ele.

A pesquisa mostra ainda que, para 69% dos entrevistados, as reuniões com membros da diretoria são muito bem aproveitadas e que os CEOs entendem perfeitamente o valor desses encontros. Já 22% dos conselheiros acham que elas são boas para o conselho, mas duvidam que os CEOs pensem o mesmo. Por fim, 7% dizem que esses debates não são valiosos para o conselho e 1%, além de desaprovar os encontros, avaliam que estes desgastam o relacionamento entre o CEO e o conselho.

Ainda segundo o estudo, os conselhos não estão prontos para desfrutar das facilidades da internet. Cinqüenta e sete por cento deles não realizam reuniões virtuais. Cerca de 70% afirmam que não têm uma conexão segura para arquivar e acessar documentos importantes e, desses, 56% afirmam que, se tivessem, prefeririam não usá-la. Quanto à agenda do órgão, a PwC apurou que 90% estão satisfeitos com o programa que é preparado para as suas reuniões.

Já sobre a influência dos investidores institucionais no conselho, mais da metade dos profissionais (51%) afirmaram que esse grupo é o que mais influencia suas decisões, entre outros 26% mencionaram a influência dos analistas como preponderante. A ISS — International Shareholders Services, consultoria de governança corporativa — e as agências de rating foram apontadas por 15% dos entrevistados.

A China é o mercado emergente mais discutido nos conselhos dessas companhias — de acordo com 52% dos questionários —, seguida por Índia (35%) e pelo Brasil (21%). Só no ano passado, 22% deles haviam viajado para a China. Porém, um pouco mais que a maioria (52%) afirma que suas companhias não competem nem investem significativamente em empresas chinesas, tampouco vendem para aquele país. “Os conselhos começam a perceber a importância de estar focados no mundo, fora dos Estados Unidos”, avalia Catherine. “Como um dos mercados econômicos mais promissores e de maior influência, a China é, certamente, digna de atenção especial.”


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