O que são os fundos quantitativos?

Modelo utiliza algoritimos, inteligência artificial e machine learning para fazer análises de mercado e tomar decisões de quando, como e onde investir



O que são os fundos quantitativos?
Imagem: Freepik

Você já ouviu falar em fundos de investimentos quantitativos? Ainda que eles representem 8 dos 15 maiores fundos do mundo e 30% do mercado americano, esses veículos ainda são pouco conhecidos no Brasil, sendo responsáveis por cerca de 2% do portfólio de aportes nacionais.

Os Estado Unidos são uma das maiores indústrias de fundos quantitativos, com 1 trilhão de dólares sob gestão. Por lá, essa modalidade surgiu nos anos 80, enquanto, no Brasil, ela começou a se disseminar nos anos 2000. E, embora o montante gerido no País atualmente seja relativamente pequeno, houve um aumento significativo no número de investidores interessados nesses fundos nos últimos cinco anos, e a tendência é que esse movimento se consolide.

Mas, afinal, o que são os fundos quantitativos? 

Basicamente, eles são tipos de investimento nos quais a gestão é feita por meio de algoritmos. Eles se baseiam na descoberta de padrões de comportamento dos ativos e há um processo complexo para fazer com que funcionem corretamente. Os constantes avanços tecnológicos que transformaram o mundo e influenciaram o desenvolvimento de diversos novos produtos, sistemas e soluções permitiram com que eles fossem criados.

Por meio de inteligência artificial e machine learning, é realizada uma profunda análise de dados de mercado que resulta na tomada de decisão sobre quando, como e no que investir. Para o sistema funcionar, diversas etapas precisam ser cumpridas, como a criação de teses, a construção e programação dos algoritmos, o backtest, a implementação da estratégia a ser adotada nos fundos e o controle de risco e manutenção.

Vantagens e riscos

Uma das grandes vantagens dessa modalidade é que, por ser realizada de forma automatizada, a avaliação e definição dos ativos a serem investidos é livre de opiniões enviesadas e reações emocionais. Processo muito diferente do que acontece nos fundos de investimento tradicionais, nos quais gestores e analistas acompanham os movimentos de mercado e decidem o que fazer de acordo com os seus conhecimentos e visões pessoais.

Além disso, as estratégias e hipóteses dos fundos quantitativos passam por diversos testes, como ocorre nos processos científicos, o que resulta na entrega de resultados bastante consistentes. Outro ponto positivo é que, por se comportarem de forma distinta do mercado e por utilizarem inúmeras estratégias, eles acabam sendo uma opção de baixa correlação.

Mas assim como qualquer tipo de investimento, os fundos quantitativos também têm seus riscos: para decidir em quais ativos alocar recursos, os algoritmos avaliam informações históricas — e pode ser que eles demorem a se adaptar a situações sem precedentes e que não fazem parte da sua base de dados, como a pandemia de covid-19.

Modelos de fundos quantitativos

Existem três modelos de administração de fundos quantitativos: puro, Quantamental e misto. O primeiro se caracteriza pelo desenvolvimento das estratégias a partir apenas do uso de inteligência artificial e machine learning. Aqui, não há intervenção humana e os algoritmos analisam somente a base de dados para, então, alocar os recursos.

No modelo Quantamental, os gestores de recursos ensinam os fundamentos econômicos, as hipóteses e as técnicas sistemáticas para o programa, que vai examinar todas essas informações para tomar uma decisão final. O modelo misto, por sua vez, como o próprio nome indica, combina o uso da tecnologia para analisar as melhores possibilidades de aporte com a expertise humana, e quem tem a última palavra nesse caso é o gestor.

Para saber se os fundos quantitativos fazem sentido para a sua carteira, o investidor deve buscar mais informações sobre esse mercado, fazer comparações entre os fundos e ter mente quais são seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Ainda que os fundos quantitativos não sejam tão populares no Brasil, esses veículos têm se mostrado um ótimo tipo de investimento, sendo ideais para quem busca diversificar o portfólio.


Alexandre Bossi é CEO e um dos fundadores do Pandhora Investimentos, gestora de fundos de investimento quantitativos


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