O gerenciamento de riscos e a perenidade dos negócios

Gerenciar riscos é obrigação de qualquer empresa, independentemente de qual for sua estrutura societária, seu porte ou seu perfil de negócios. Seja com o propósito de mitigar, transferir ou endereçar um risco, a companhia sempre deve procurando um equilíbrio ideal entre ele e a oportunidade. Esse …



O gerenciamento de riscos e a perenidade dos negócios
De todos os fatores de riscos divulgados pelas companhias, os regulatórios são os que mais se destacam Imagem: Freepik

Gerenciar riscos é obrigação de qualquer empresa, independentemente de qual for sua estrutura societária, seu porte ou seu perfil de negócios. Seja com o propósito de mitigar, transferir ou endereçar um risco, a companhia sempre deve procurando um equilíbrio ideal entre ele e a oportunidade.

Esse cenário, obviamente, não é diferente para as empresas brasileiras de capital aberto. Elas todavia, não apenas precisam se manter atentas aos riscos inerentes aos negócios para se manterem competitivas, como também ao olhar de stakeholders como os acionistas e a figura dos órgãos reguladores.

De todos os fatores de riscos divulgados pelas companhias, os regulatórios são os que mais se destacam, sendo citados por 95% das empresas abertas listadas no Novo Mercado, no Nível 2, no Nível 1 e pelas maiores do nível básico da B3, segundo levantamento do ACI Institute da KPMG. Essa é uma preocupação legítima, pois uma estrutura inadequada de compliance, ou essa estrutura não ser suficiente para evitar intervenções ou punições de órgãos reguladores, pode colocar em perigo o negócio das companhias, gerar perdas, dificultar investimentos e criar um ambiente volátil e de incerteza aos seus investidores.

A partir dos formulários de referência arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi possível traçar um panorama com os 25 fatores de risco mais citados por essas 241 empresas abertas do País. Além dos riscos regulatórios, as condições econômicas e de mercado, os riscos financeiros e de caixa, os riscos operacionais e aos relacionados aos acionistas, formam os cinco principais motivos de preocupação no cenário nacional.

Os cinco principais riscos para as companhias abertas

São entendidos como condições econômicas e de mercado os riscos associados, por exemplo, a políticas macroeconômicas e suas implicações, bem como as oscilações de demanda decorrentes da perda do poder de compra dos consumidores e da retração de um setor. Por sua vez, os riscos para os acionistas incluem fatores como volatilidade e falta de liquidez das ações da companhia ou do mercado de capitais e restrições na participação acionária ou dificuldades em exercer os direitos a ela vinculados, ou mesmo o não pagamento de dividendos.

Já os riscos operacionais estão associados a falhas em processos ou operações que podem implicar interrupções temporárias, queda na eficiência, perdas e atrasos. Eles abrangem por exemplo, a gestão de estoques, a eficiência logística e a segurança e a manutenção das instalações, entre outros. Por fim, há os riscos financeiros e de caixa, que envolvem falta de liquidez, estrutura ou nível de endividamento e eventual dificuldade para captação de recursos, por exemplo.

Preocupação com riscos atrelados a aspectos de ESG

Questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) também foram abordadas pelas companhias. Vale lembrar que em dezembro do ano passado, a CVM colocou em audiência pública a proposta de alteração da Instrução 480. Dentre outros objetivos, ela pretende aprimorar a divulgação de informações, com um maior detalhamento dos riscos relacionados ao ESG.

Se implementadas como previstas pela minuta da CVM, as novas regras exigirão maior destaque à divulgação de fatores ESG, assim como das estruturas e práticas de governança corporativa, nos formulários de referência. A atualização ainda trata do posicionamento dos emissores quanto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e de uma divulgação mais ampla na adoção do “pratique ou explique” por aqueles que não divulgarem relatórios de sustentabilidade ou correlatos, ou não adotarem indicadores-chave de desempenho para questões ambientais e sociais.

Caso aprovada, a reforma poderá só terá efeito prático a partir de 2022. Ela, entretanto, já causa crescente preocupação nas companhias. Os fatores de risco associados às questões socioambientais foram mencionado spor 66% das empresas, frente a 56% em 2020. Aqueles relacionados às práticas de governança também ganharam destaque e, pela primeira vez, apareceram entre os 25 riscos mais citados pelas organizações, presentes em quase 50% das divulgações.

Reflexos da pandemia da covid-19 para as empresas

A todos esses fatores soma-se a apreensão com a crise sanitária global provocada pela covid-19. A pandemia foi citada em mais da metade (57%) dos formulários analisados. À medida em que o vírus foi se alastrando, governos, empresas e sociedade tiveram que se adaptar e readequar rotinas, processos e operações para mitigar os impactos — o que tem se provado um verdadeiro desafio.

Essa situação, porém, tornou o mercado mais consciente de suas fragilidades, reforçando a importância do gerenciamento de riscos para a continuidade das operações. Assim, em meio a tantos desafios, avanços e retrocessos, oportunidades e ameaças, sobrevive quem consegue mapear, prevenir, mitigar e endereçar os riscos e como já mencionado anteriormente, equilibrar o gerenciamento de riscos com a prospecção de oportunidades.

Mesmo com um cenário de recuperação econômica e retomada à frente, ainda será preciso conviver com o legado da pandemia por um bom tempo. A existência de uma estrutura efetiva de gerenciamento de riscos se torna essencial para garantir o sucesso e a perenidade dos negócios. À luz dos acontecimentos do último ano, pode-se dizer que as empresas que conseguiram se adaptar mais rapidamente às novas demandas, readequando e atualizando modelos de negócios, são as que sofreram impactos menores ou tiveram maior resiliência às crises, e com certeza, estarão mais preparadas e adaptadas à nova realidade dos negócios.


Sidney Ito (sito@kpmg.com.br) é CEO do ACI Institute, do Board Leadership Center e sócio de consultoria em riscos e governança corporativa da KPMG no Brasil. Fernanda Allegretti (fallegretti@kpmg.com.br) é sócia-diretora do ACI Institute, do Board Leadership Center Brasil e de mercado da KPMG no Brasil.


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