Diferenças entre o private equity e venture capital
Entenda as principais características e objetivos desses dois tipos de investimento em capital de risco
Diferenças entre o private equity e venture capital
Imagem: stories | Freepik

Apesar da crise econômica gerada pela pandemia da covid-19 no Brasil, os investimentos totais em empresas no País registraram um forte aumento no último ano, em comparação a 2020. De acordo com os dados do Transactional Track Record (TTR), 2224 operações movimentaram no Brasil aproximadamente 467,9 bilhões de reais de janeiro a novembro de 2021. Tais resultados representam uma alta de 151% no valor e de 51% no número de transações societárias ante o mesmo período do ano anterior. 

Corroborando essas informações, conforme dados da empresa de inovação Distrito divulgados pela imprensa em dezembro, as startups brasileiras captaram, entre janeiro e novembro de 2021, mais de 50 bilhões de reais. O montante é o triplo do captado ao longo de todo o ano de 2020.

Entre os principais tipos de investimentos transacionais realizados no País, seja em empresas estabelecidas, seja em startups ou pequenas empresas em formação, destacam-se as operações de private equity e de venture capital, que serão abordadas neste artigo. 

Conforme o mesmo relatório do TTR, de janeiro a novembro de 2021, 52,7 bilhões de reais foram investidos em private equity (uma alta de quase 370% ante 2020) e 55,2 bilhões de reais, em venture capital (um aumento de 248% em comparação ao ano anterior).

Mas qual a diferença entre o private equity e o venture capital?

Características do private equity

O private equity tem, como empresas objeto de compra, sociedades que já se encontram em um estado maduro de desenvolvimento. Essa análise leva em consideração fatores como faturamento, capacidade de crescimento e potenciais riscos da atividade exercida pela empresa. 

Diversos fundos de investimentos se valem desse formato para realização de seus aportes, tendo frequentemente como objetivo final a abertura de capital da empresa em bolsa de valores, por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO).

Como o private equity aloca recursos em companhias maduras, geralmente não existe a intenção por parte dos gestores de recursos de promoverem várias rodadas de investimentos. Isso faz com que uma única operação de private equity costume movimentar uma quantia expressiva, normalmente aplicada por um único ou poucos investidores. Tal característica fica evidente nos números do estudo publicado pela TTR: embora os valores das transações de venture capital e private equity no ano passado sejam parecidos, a primeira modalidade registrou 643 operações, enquanto a segunda, 115. 

Já o processo de auditoria e elaboração do contrato de aquisição ou investimento de private equity têm como característica a análise profunda e minuciosa da empresa-alvo. Busca-se detalhadamente os melhores interesses (e falhas) de cada lado, individualmente. Há, ainda, extremo cuidado com as declarações e garantias expostas em contrato. 

Características do venture capital

No venture capital, o investimento é destinado especificamente a startups, principalmente para aquelas que ainda não passaram pelo chamado “vale da morte” — o termo refere-se ao período de queda da startup após a sua criação, para só então dar início ao seu crescimento exponencial.

Muitas vezes, inclusive, a startup sequer saiu do papel. Ou seja: o objeto do investimento é apenas a ideia do empreendedor. Dessa forma, é característica básica desse tipo de investimento o risco elevado. Por outro lado, como o alvo é uma empresa incipiente ou que sequer existir de fato, o processo de negociação entre investidor e fundador para a alocação dos recursos tende a ser bem mais rápido, quando comparado ao modelo do private equity. Afinal, o dinheiro que será aplicado na startup é necessário para viabilizar o exercício de sua atividade e perder tempo com discussões minuciosas de contrato gera malefícios e atraso para todos. 

Nesse formato de investimento, praticamente não há o que se avaliar em relação a empresa em si. Durante a elaboração do contrato de venture capital, os interesses são muito diferentes daqueles observados no private equity. Envolvem, por exemplo, a preocupação com o estabelecimento de diferentes classes de ações, como proteção a rodadas futuras de investimentos, que são características usuais do desenvolvimento de uma startup. Isso porque o risco enfrentado pelo primeiro investidor tende a ser muito mais elevado do que os seguintes.

Também é uma preocupação relevante dos investidores de venture capital que o fundador da empresa continue motivado e fique livre para gerenciar e desenvolver o negócio. Afinal, ele é o principal “ativo” do investimento, uma vez que é o detentor da ideia e tem as principais ferramentas para desenvolver a atividade da startup de forma rentável. 

Outra característica típica do venture capital é que, objetivando facilitar e reforçar a celeridade no processo de investimento, muitas vezes é estipulado que um investidor líder fique responsável por analisar as cláusulas do contrato. A prática é benéfica, já que a análise por investidores simultâneos retardaria a conclusão do processo. Essa característica não está presente ordinariamente nos investimentos de private equity, em que os investidores participam de todas as etapas de elaboração do contrato e estão propensos a discutir as cláusulas ali dispostas.

Apesar de suas diferenças, os dois tipos de investimento podem caminhar juntos. Ao se empenharem para alcançar o estado maduro das startups investidas, os gestores de recursos de venture capital possibilitam que essas empresas recebam posteriormente investimentos de private equity ou até mesmo abram capital. 


Beatriz Miranda ([email protected]) é advogada do Coelho & Dalle Advogados e cursa LLM em Direto Societário no Insper.


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