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Verdades à mostra

Tempos de baixa costumam ser um celeiro de revelações. Enquanto a bonança encobre os erros e enverniza as fissuras, a crise os expõe impiedosamente. Assim foi 2013, o ano que desnudou mazelas. A insatisfação com o sistema político ineficaz, o baixo crescimento econômico, a inflação em alta e as contas públicas em desarranjo foi expressa das mais diferentes formas. Desde o desânimo dos investidores estrangeiros, e o consequente desmonte de participações no País, até as manifestações populares de junho, que embaralharam o cenário político.
A verdade ebuliu nas ruas e clareou o interior das corporações.
A OGX, de Eike Batista, declarou-se um mar forrado de promessas mirabolantes e carente de óleo. Outra petroleira repleta de fantasias, a HRT, reconheceu não ter encontrado gota de óleo viável comercialmente em nenhuma das três regiões em que atua. Negócios menos ambiciosos mas igualmente apoiados em arestas frágeis também viram-se em maus lençóis em 2013. É o caso das corretoras de valores, cuja crise deflagrada por receitas depauperadas e custos em elevação aprofundou-se, como mostra a reportagem de Mariana Segala, na página 18.
O cobertor curto afiou ainda as garras do Fisco, que avançou sem cerimônia sobre o mercado de capitais. Medidas como a que alterava a incidência de impostos sobre dividendos de forma retroativa irritaram empresários e abriram negociações que culminaram na medida provisória comentada na página 12. As comunicações do mercado com Brasília, a propósito, se fortaleceram. Um dos destaques vem sendo o projeto de lei Brasil Competitivo, que, junto com ações empreendidas por BM&FBovespa e CVM, busca destravar um dos principais nós do desenvolvimento do mercado de capitais no País: o acesso de pequenas e médias empresas à bolsa de valores. Diversos incentivos vêm sendo estudados para abrir o caminho — alguns deles fiscais, com vantagens para os investidores das empresas que se pretende atrair.
A dose certa de benesses e facilidades, porém, precisa ser estudada com cuidado. É desejo de todos, afinal, trazer companhias com a intenção genuína de levantar recursos no mercado para crescer. Na matéria de capa desta edição, a jornalista Yuki Yokoi disseca a investigação da CVM sobre a RJCP Equity, uma empresa de investimento em startups presente na bolsa há cerca de três anos e, segundo a acusação da autarquia, erguida sobre uma fraude grosseira e inescrupulosa. Mais uma mentira que não escapou aos potentes holofotes de 2013.
A todos os leitores que nos acompanham na missão jornalística de expor a verdade, boas festas e um excelente 2014!