Tudo vigiado

Editorial/Edição 126 / 1 de fevereiro de 2014
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A reportagem de capa desta edição trata de uma necessidade das corporações modernas: a instalação de sistemas de vigilância que evitem desvios de comportamento e favoreçam a escolha do que é certo. A nova Lei Anticorrupção, a ser regulamentada em breve, suaviza as penalidades para companhias que, pegas em um ato ilícito nas relações com o poder público, comprovem ao menos terem feito o possível para prevenir o problema. É o reconhecimento de que, se não dá para controlar tudo em grandes organizações, ao menos há como desencorajar os mal-intencionados. A novidade se alinha com a legislação de outros países e promete funcionar. Criar ambientes que dificultem a atuação dos que se acham espertos demais é uma maneira inteligente de refreá-los.

Nesta edição tratamos de mais uma forma de diligência que cresce no mundo: o ativismo dos investidores institucionais. Criticados após a crise de 2008 por suas visões de curto prazo e sua complacência com as elevadas doses de ganância dos mercados, eles se revelam mais interessados em interferir nas companhias, como mostra a matéria de Bruna Maia Carrion na página 40. Seus olhares desconfiados e exigentes têm efeitos semelhantes aos dos mecanismos de compliance incentivados pelas leis anticorrupção: constrangem, e possivelmente inibem, aqueles que querem se dar bem sozinhos.

Interessante pensar os efeitos que essas barricadas antirroubos somadas aos avanços da tecnologia — e a maior exposição deles decorrente — terão sobre as companhias no futuro próximo. Dá para imaginar que fraudes grosseiras aos bens públicos, sejam eles os dos acionistas, sejam os dos cidadãos, serão muito menos simples de serem executadas. Histórias como a da Inepar, cujos acionistas controladores expropriaram repetidamente os minoritários durante mais de uma década (veja a reportagem na página 16), talvez encontrem menos sombras para acobertá-las.

Pessoas com vocação para sobrepor suas aspirações privadas ao interesse público sempre vão existir. Ainda assim, o surgimento de leis que as desfavorecem é sempre uma boa notícia.


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