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Teste de confiança

O reincidente envolvimento da Vale num enorme desastre civil e ambiental torna inevitável a pergunta: até que ponto as alegadas ações de sustentabilidade da empresa desde o rompimento de uma barragem de sua subsidiária Samarco em 2015 foram suficientes para evitar que uma tragédia se repetisse? Se comprovada falta de diligência da empresa ou omissão de informações, o rombo de caixa e imagem com o estouro da barragem de Brumadinho pode ir muito além dos bloqueios inicialmente determinados pela Justiça e da indignação generalizada. As implicações do episódio para uma Vale pós-reorganização societária estão detalhadas na reportagem de Letícia Paiva e Rodrigo Petry.

Muito pertinente é a análise de Alexandre Di Miceli, na coluna Governança desta semana. À luz do lamentável acontecimento de Brumadinho, ele discorre sobre o mal que a cultura corporativa de entrega de valor a qualquer custo para os acionistas provoca. Para ele, é equivocada a visão de sucesso centrada apenas nos acionistas — pano de fundo de problemas como o novo desastre protagonizado pela Vale.

Também nesta edição, os principais pontos de um debate sobre o papel do compliance das empresas no contexto de chegada da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que passa a vigorar em 2020. Reunidos em um grupo de discussão promovido pela CAPITAL ABERTO em dezembro, especialistas tratam de pormenores da lei e das adaptações que ela vai exigir. Já os vetos presidenciais a incentivos fiscais antes previstos na Lei 13.800/19, que trata de fundos patrimoniais, são o mote do artigo de Erika Spalding, sócia do escritório Barbosa e Spalding Advogados e especialista em assessoria jurídica para o terceiro setor.