Referências demolidas

Editorial / Edição 112 / 1 de dezembro de 2012
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O apocalipse supostamente previsto pelos maias parece ter falhado, mas 2012 foi um ano de desconstruções. Alicerces fincados em nossas visões de mundo foram abalados, para o bem e para o mal, forçando-nos a buscar novas referências. O desemprego acachapante no continente europeu abalou todos que, nascidos no hemisfério de baixo, acostumaram-se a admirar a economia estável e sólida daqueles países. O Brasil, quem diria, fechou o ano com taxa de juros real de 2%, abrindo caminhos para o florescimento de uma economia mais produtiva e tirando o chão dos que ainda investiam com o ideal de esforço mínimo e retornos excelentes.

Como mostra a reportagem de capa, alguns paradigmas demolidos tornarão complexas as análises sobre a bolsa de valores em 2013. Empresas de energia elétrica deixaram de ser a aposta estável e provedora de dividendos que confortava investidores. Bancos, pressionados pelo acirramento da inadimplência e pelo juro baixo, já não exibem os frondosos lucros de outrora. Companhias de consumo, a cereja da economia na atualidade, estão caras. As de commodities, aquecidas pela locomotiva chinesa nos últimos anos, não entusiasmam mais.

As reformulações de 2012 também passaram por mudanças na governança das empresas. A separação entre acionista controlador e minoritário não é mais tão visível. Grupos de acionistas com porções não majoritárias do capital tornaram-se mais frequentes nas organizações e ganharam influência dominante nas assembleias. A figura do dono tradicional, aquele tipo centralizador que governa a companhia com devoção, cedeu espaço a times de diretores e conselheiros profissionais que fizeram feio em certos casos e deixaram o mercado saudoso do pulso do dono.

Tragédias financeiras como a que envolveu o Cruzeiro do Sul, com seus fundos de investimento mentirosos, são uma parte triste da desconstrução. Deixaram em pânico os poupadores que neles depositavam suas economias e em choque o próprio regulador, que não enxergou a malandragem a tempo de salvar os cotistas. A transparência e a supervisão da indústria de fundos foram tema do segundo Círculo de Debates realizado pela CAPITAL ABERTO, cujos melhores momentos estão resumidos na matéria da página 36.

Que as perspectivas inauguradas em 2012 amadureçam e evoluam no próximo ano. Boas festas e um ótimo 2013!

Em tempo — Este foi um ano de especial reconhecimento à reportagem da capital aberto. Ganhamos quatro prêmios de jornalismo: dois da BM&FBovespa, um do IBGC e outro da Abecip. Foram condecoradas as reportagens Na Ponta do Lápis e Independência Fajuta (de Yuki Yokoi), e Incentivos Subvertidos e Plano de Continuidade (de Bruna Maia). Parabéns às repórteres!



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