Outro tempo

Editorial / Edição 140 / 1 de abril de 2015
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Nos últimos anos da década passada, quando empresas desembarcavam em pencas na bolsa de valores brasileira, pressa era a nota de ordem. Advogados e banqueiros varavam madrugadas e fins de semana pendurados em reuniões por telefone para desovar seus IPOs nos exíguos prazos prometidos aos clientes. Prospectos eram redigidos com a formidável ajuda das ferramentas “copiar” e “colar” do Word, que no desespero salvavam até mesmo capítulos complexos como “fatores de risco” ou “poison pills”. Detalhes pouco importavam naquele momento. Complicações, nem pensar. Era a euforia de um planeta forrado de liquidez seduzindo empresários deslumbrados com a possibilidade de vender ações a preços antes impensáveis.

Um tempo depois, com o País desnorteado por uma grave crise econômica e política, o empresariado não vê mais sentido em manter ações na bolsa negociadas a preços vis e decidem recomprá-las. Faz todo o sentido. Só que desta vez eles não querem ser simples e rápidos como em suas chegadas ao pregão. É preciso fazer uma série de ressalvas e impor condições para se assegurar de que não vão fazer um mau negócio. São eles, afinal, que estão arriscando-se a investir em meio ao confuso panorama da economia brasileira. Com termos incomuns, cheias de detalhes, essas ofertas públicas — agora de compra — se arrastam até que o órgão regulador as destrinche e chancele, como mostra a reportagem de capa de Yuki Yokoi.

Também nesta edição, consultamos especialistas para extrair as primeiras lições do caso Petrobras. Afastando-se dos ruídos diários soados pelos desvios de recursos públicos e pela trapalhada com o balanço da companhia, é possível pensar em ajustes na estrutura da regulação e da governança que possam prevenir novos episódios do tipo. Tomando o escândalo da petroleira como gancho, ainda pesquisamos como se dão as relações entre companhias controladas pelo Estado e o mercado de capitais em outros países e encontramos exemplos interessantes. O convívio é delicado e sinuoso, mas pode ser muito pior, ou melhor, do que o que temos no Brasil. Vale conferir a reportagem Entre o público e o privado, de Marianna Aragão.




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