O cerco se fecha

Seletas / Edição 9 / Editorial / 27 de novembro de 2015
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A questão ética curiosamente percorre esta edição de Seletas. Mas para quem não acredita em sorte ou coincidência, está tudo conectado — e está mesmo. Em workshop realizado pela Capital Aberto na segunda-feira, foi exaltado o cerco de autoridades e agentes do mercado às atitudes ilícitas cometidas no mundo empresarial. Nas combinações de negócios, por exemplo, diligências rigorosas simplesmente eliminam do jogo companhias com suspeitas de irregularidades.

Dois dias depois, a ética volta ao púlpito em discussão sobre os conselhos de administração do século 21. Colegiados capazes de orientar a gestão sobre o propósito das organizações e criar valor sustentável no longo prazo são algumas das qualidades cunhadas para os conselhos modernos. Times plurais, que garantam visão crítica sobre as atitudes dos gestores, tornam-se essenciais, dizem os debatedores. O surpreendente episódio de prisão do banqueiro André Esteves minutos antes do início do encontro elucida os riscos que se pretende evitar. Os fatos reiteram: sofisticados programas de compliance e irretocáveis estruturas de governança podem não adiantar nada.

A prisão de Esteves expôs ainda os riscos de manter uma instituição umbilicalmente conectada ao seu fundador. Nela, um balanço saudável e um corpo de gestores geniais não são suficientes para aplacar os eventuais malfeitos do acionista superpoderoso. Em capa de abril de 2012, a Capital Aberto estampava caricaturas de Esteves e Mark Zuckerberg, dono do Facebook, alertando para os riscos das corporações que, na prática, dependem de um homem só. Ainda que as suspeitas contra o banqueiro não se sustentem, os perigos da fórmula centralizadora estão demonstrados.


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