Estímulos oportunos

Editorial/Edição 111 / 1 de novembro de 2012
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O baixo número de pessoas físicas que investem em ações é um problema a ser dirimido pelos reguladores do mercado de capitais brasileiro. São apenas 570 mil CPFs ativos registrados na bolsa de valores, uma ínfima porção de 0,3% da população do País. Não existem estatísticas oficiais que incluam os aplicadores dos fundos de investimento em ações, mas tampouco resta dúvida de que esse contingente é tímido em relação ao tamanho do Brasil. Apesar de a BM&FBovespa ter investido elevadas somas de tempo e dinheiro para atrair investidores individuais a seus pregões, ainda falta conhecimento, cultura, disposição a risco, senso de necessidade e, principalmente, poupança. O novo patamar dos juros, se persistente no tempo, será de grande ajuda. A jornada, porém, será longa.

Interessante notar que, nesse ambiente pouco afeito aos investimentos de retorno variável, os fundos imobiliários (FIIs) vêm se destacando de forma surpreendente, conforme mostra a reportagem de capa. Desenvolvidos ao longo da última década e maciçamente capitalizados por pessoas físicas, eles congregam cidadãos que equivalem a 10% dos CPFs ativos no mercado acionário. Um excelente exercício, sem dúvida, para investidores sentirem-se parte de um projeto, reivindicarem direitos, fiscalizarem administradores e acostumarem-se com uma rentabilidade incerta. Lastreados em um ativo que sempre trouxe sensação de segurança aos brasileiros, os fundos imobiliários têm uma vocação natural para florescer.

Boa parte desse atrativo se deve a um empurrão fiscal: desde 2004, os investidores pessoas físicas estão dispensados de pagar imposto de renda sobre os rendimentos dos FIIs. A história mostra, é bom lembrar, que situações artificiais criadas por economias com tributos podem fazer mais mal do que bem à cultura de investimentos. Mas quando executado apropriadamente, esse tipo de incentivo também pode ser a tacada definitiva para um mercado deslanchar.

Por essa razão, a estratégia tributária vem sendo citada como elemento essencial nas tentativas de reparação de outra grave deficiência do mercado acionário brasileiro: a diminuta quantidade de companhias abertas presentes no pregão. Em paralelo às iniciativas capitaneadas pela BM&FBovespa e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para desenvolver o Bovespa Mais, segmento de acesso da Bolsa, um grupo de prestadores de serviços decidiu montar um projeto para convencer o governo federal a abrir mão de impostos com vistas a estimular pequenas e médias empresas a listarem ações, como relata Yuki Yokoi na seção Panorama. Toda ideia bem intencionada e correta para fazer crescer os números de empresas e de investidores é oportuna. Os fundos imobiliários são a evidência de que estímulos certos podem gerar resultados comemoráveis.




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