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Duelos lá e cá

Acontece com frequência nos melhores mercados: regulados acusam as autoridades encarregadas de discipliná-los de exagerar na dosagem das regras e restringir a liberdade dos agentes. Na Europa, depois da indignação profunda deflagrada pela crise de 2008, reguladores impuseram mais normas para o uso de derivativos pelas companhias que, agora, reclamam do excesso de limites. Os ângulos de visão de um mesmo problema tornam-se distintos ao longo do tempo e conforme a cadeira — e os interesses — de cada um. É parte do jogo.

No Brasil, críticas de participantes do mercado a um intervencionismo desmedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) têm sido frequentes. A mais recente tem como alvo a condenação do empresário Eike Batista por aprovar, em 2014, por meio de empresas das quais era o único sócio, as contas da antiga OGX, petrolífera que ele controlava e na qual atuava como conselheiro. Segundo a CVM, ele não poderia, em razão de conflito de interesses, ter aprovado as contas na condição de líder do conselho de administração. Nesta edição, a jornalista Yuki Yokoi destrincha o debate a partir da ata do julgamento divulgada no último dia 27. O advogado Luiz Leonardo Cantidiano, colunista de SELETAS, defende em seu espaço que a condenação foi equivocada.

Outros destaques desta semana são os desdobramentos das investigações de fraudes protagonizadas por Inepar e Mundial e o lançamento de ações da Brasil Pharma — o primeiro da série de ofertas restritas previstas para o difícil ano de 2016.