Crise e mistério

A semana foi tensa. Informações jorraram a todo tempo, acirrando as graves crises política e econômica. Racha no PT, vingança de Eduardo Cunha, números decepcionantes do PIB — e ainda a movimentação da cúpula do BTG Pactual para blindar a instituição diante da erosão de credibilidade provocada pela …

Seletas / Edição 10 / Editorial / 4 de dezembro de 2015
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A semana foi tensa. Informações jorraram a todo tempo, acirrando as graves crises política e econômica. Racha no PT, vingança de Eduardo Cunha, números decepcionantes do PIB — e ainda a movimentação da cúpula do BTG Pactual para blindar a instituição diante da erosão de credibilidade provocada pela prisão de André Esteves. No horizonte dos analistas, paira o gelo-seco liberado pelo caos. A visibilidade torna-se cada vez mais turva. A crise se alastra.

Nesta edição semanal, destacamos duas vítimas provavelmente menos observadas. Uma delas é o órgão regulador do mercado de capitais, que em manifestação recente escancarou o esvaziamento de seus cofres, a despeito do superávit que alcançou com a arrecadação de taxas. A privação é digna de alerta. Pode comprometer, segundo a CVM, os trabalhos de supervisão e fiscalização dos agentes do mercado de capitais.

A outra é a geração de empreendedores com alguma disposição para inovar. Em grupo de discussão voltado ao debate de políticas públicas para a alavancagem de startups, um dado assustador sobre o volume de empréstimos destinado à inovação elucidou o tamanho do infortúnio. Se o investimento em tecnologias para o futuro já era deficitário no Brasil, a implosão atual faz com que ele caia de modo alarmante.

Enquanto a economia freia com força, um dos bancos mais agressivos em empréstimos do mercado de capitais rebola para controlar a grave crise de reputação em que seu dono o envolveu. Em uma transação enigmática, os sócios principais de André Esteves tiraram dele o controle — apesar de o banqueiro possuir uma ação com privilégios (golden share) e o comando prescrito e definitivo sobre os passos da gestão e de conselheiros, como mostra a reportagem de Yuki Yokoi. Tudo isso em comunicados de poucas palavras. Explicar não é o mais conveniente nesse momento.




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