Convite para se fazer o que é certo

O Brasil enfrenta uma enxurrada de notícias sobre políticos e diretores de empresas que aprontaram coisas erradas com dinheiro público. É animador, porém, observar que o sufocamento das práticas ilícitas também cresce, nas mais variadas frentes. A pressão, a vigilância e as punições avançam a ponto …

Seletas/Editorial/Edição 13 / 10 de janeiro de 2016
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O Brasil enfrenta uma enxurrada de notícias sobre políticos e diretores de empresas que aprontaram coisas erradas com dinheiro público. É animador, porém, observar que o sufocamento das práticas ilícitas também cresce, nas mais variadas frentes. A pressão, a vigilância e as punições avançam a ponto de assustar até os mais descarados – e os mercados financeiro e de capitais, no papel de provedores de recursos, reproduzem esse movimento.

Esta edição de Seletas reúne alguns exemplos. Em 2015, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) bateu recorde de envio de informações à Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem dinheiro. A corretora TOV, entre outras acusadas de favorecer a remessa ilegal de recursos ao exterior, foi liquidada extrajudicialmente por participar de transações irregulares.

Além da fiscalização das autoridades, a consciência e a vigilância do mercado contribuem para minar atitudes estranhas. No meio dos preparativos para as festas de fim de ano, os administradores da BR Malls soltaram o convite para uma assembleia que votaria o encarecimento da cláusula de dispersão acionária da companhia – a chamada poison pill. A medida, considerada delicada por causa do seu potencial para barrar tentativas de tomada de controle (e, assim, favorecer os administradores), merecia, no mínimo, ter sido mais discutida com os acionistas, e num momento adequado. Sob pressão, a BR Malls adiou o plano, como mostra a reportagem de Yuki Yokoi.

Nos Estados Unidos, os olhos arregalados dos investidores também pressionam as empresas. Engajados aos princípios de responsabilidade ambiental, eles exigem mais transparência das petroleiras que fazem lobby para abrandar medidas de contenção dos riscos climáticos.

Também nesta edição, o ótimo texto de Isabella Saboya sobre a importância da supervisão das transações de fusões e aquisições. Ela defende a adesão das companhias ao Comitê de Aquisições e Fusões (CAF) como forma de se comprometerem a escolher o caminho do tratamento justo. Mais um bem-vindo convite para se fazer o que é certo.


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