Bem diferente

Primeiras décadas são um oportuno convite a retrospectivas. Há exatos dez anos, o mercado de capitais brasileiro assistia ao IPO da Natura sem saber que aquela seria uma fronteira histórica

Editorial / Edição 129 / 1 de maio de 2014
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Primeiras décadas são um oportuno convite a retrospectivas. Há exatos dez anos, o mercado de capitais brasileiro assistia ao IPO da Natura sem saber que aquela seria uma fronteira histórica: empresários e investidores iniciavam ali uma nova maneira de relacionar-se entre si. A partir de então, faria sentido para os primeiros levantar recursos emitindo ações e, se fosse o caso, até abrir mão do controle acionário; para os segundos, o Brasil e suas companhias, sob um guarda-chuva de boas normas de governança chamado Novo Mercado, emergiam como destino atraente no farto cenário de liquidez mundial que se aproximava.

Não poderíamos, pois, deixar de celebrar a efeméride na CAPITAL ABERTO e aproveitá-la para fazer um exercício: uma centena e meia de IPOs depois daquele maio de 2004, quais teriam sido os mais bem-sucedidos? Que bancos e escritórios de advocacia foram responsáveis por trazer as melhores companhias ao mercado? Pensamos em algumas métricas para eleger essas empresas e pedimos a ajuda do Insper para calculá-las. Os resultados podem ser conferidos a partir da página 19.

A transformação em uma década foi grande, porém o ingresso das companhias no mercado de capitais está longe de ser tema bem resolvido. No quadro de investidores muito seletivos no ambiente internacional, e de um mercado interno ainda inibido por taxas de juros elevadas e baixo volume de poupança, o principal obstáculo é a sustentação de demanda para emissores dos mais variados portes. Atrair empresas médias e pequenas, que se interessam por ofertar ações mas não estão dispostas a fazê-lo a qualquer preço, é certamente um desafio para os próximos dez anos. A boa notícia é que, assim como em 2004, o mercado está munido de uma série de iniciativas para alcançar esse objetivo. No Círculo de Debates desta edição, especialistas trocam opiniões sobre o potencial e o alcance delas.

A reportagem de capa mostra que, embora ainda não acessível a empresas de todos os tamanhos, o mercado de capitais estabeleceu-se como via de crescimento para as companhias. Na esperta modelagem societária desenhada para unir Oi e Portugal Telecom, os acionistas controladores desagradam os minoritários da telefônica brasileira. Somente conseguirão viabilizar o conjunto da reestruturação, no entanto, se puderem contar com investidores daqui e de fora numa bilionária oferta pública de ações. O projeto é criar, ao final, uma companhia de base acionária dispersa, listada no Novo Mercado. Bem diferente dos tempos em que a maioria das reorganizações terminava em fechamento de capital.


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