Ano inesquecível

Editorial / Edição 136 / 1 de dezembro de 2014
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Seria ótimo poder esquecer 2014. Pena que, infelizmente, ele tenha tudo para persistir na memória. O calendário espremido por Copa e eleições e a incerteza sobre o cenário político turvaram a visibilidade dos empresários e atravancaram seu ímpeto de investir. Como resultado, restaram a estagnação econômica e um ambiente inóspito para o mercado de capitais.

Enquanto outras bolsas surfaram em volumosas ondas de liquidez, no Brasil apenas uma companhia, a Ourofino, abriu o capital. Na via oposta, empresas saíram do pregão aproveitando os baixos preços dos papéis e as perspectivas pouco animadoras. O clima ruim foi temperado por contendas ruidosas entre controladores e minoritários. As queixas de expropriação de direitos compreenderam desde estatais como a Eletrobras até companhias bem menores e privadas como Forjas Taurus.

Este foi também um ano de escândalos. O maior deles, sem dúvida, deflagrado na Petrobras, que vem sendo diariamente assolada por denúncias de corrupção de seus dirigentes com empreiteiros. A telefônica Oi teve êxito comparável em deixar os investidores estupefatos. Por meio de um aumento de capital vendido nos quatro cantos do globo, levantou R$ 14 bilhões com a promessa de criar uma gigante do setor, unindo-se à Portugal Telecom. Meses depois, quando se descobriu um empréstimo fraudulento na companhia portuguesa, decidiu vendê-la e abortar o projeto. Tudo isso após um negócio de incorporação altamente controverso para arrematar a Portugal Telecom, aprovado pelos donos da companhia sob clara situação de conflito de interesses.

Foi também um ano difícil para a indústria de fundos de investimento. Ela sentiu não apenas os efeitos colaterais da alta taxa de juros como também da concorrência com títulos incentivados, como mostra a reportagem na página 18. E as boas notícias? Sim, claro, não há por que ignorá-las. Outras desonerações tributárias prometem atrair companhias de porte médio para o mercado de ações assim que o cenário desanuviar. Da mesma forma, avais regulatórios há muito esperados — como o que autoriza empresas a distribuir ações para público selecionado sem o registro de companhia aberta— prometem estimular as emissões de ações. O problema das boas notícias é que elas dependem de um ambiente desintoxicado das más lembranças para acontecerem. Tomara que as vibrações do ano novo auxiliem nesse processo. Boas festas!


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