A disrupção que nos pega despreparados
Quando se trata de mudanças climáticas, ainda há muito o que se fazer no campo dos conselhos de administração
Henrique Luz
Henrique Luz , CCA+, CCoAud+ e CCF IBGC, é membro independente de conselhos e membro do conselho de administração do IBGC | Ilustração: Julia Padula

A maior disrupção de todos os tempos está diante dos nossos olhos, assumindo um ritmo cada vez mais acelerado. E sejamos sinceros: não estamos preparados para lidar com suas consequências.


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Inicio assim este diálogo não com a intenção de desanimar o leitor, mas com o objetivo de alertá-lo. Quando se trata de mudanças climáticas (sim, a maior disrupção que temos pela frente é ambiental), confesso estar permanentemente inquieto. O dilema do grão de areia (se este for mesmo um dilema) não justifica nosso entorpecer. Muito pelo contrário. É justamente a humildade de nos reconhecermos pequenos, únicos e integrantes de um todo que deve nos colocar em marcha.

Deixadas de lado questões não menos importantes, mas bastante discutidas, como a prática do greenwashing, a necessidade de debatermos políticas públicas, o papel da indústria de investimentos ou o poder do consumidor, vamos à parte prática.

O círculo virtuoso começa no nosso próprio quintal. E para que o movimento aconteça é preciso estudar — muito e constantemente.

O World Economic Forum (WFE) tem uma publicação com perguntas e princípios norteadores que nos ajudam a estabelecer uma governança climática efetiva nos conselhos de administração. A título de reflexão, compartilho aqui alguns dos questionamentos que, ao mesmo tempo que me tiram o sono, ajudam a nortear minha atuação:

  • Seu conselho tem conhecimento de como a mudança do clima pode afetar a empresa?
  • Quais medidas foram tomadas para averiguar se a composição do conselho propicia debates bem fundamentados e tomadas de decisão objetivas?
  • Como seu conselho assegura que aspectos climáticos recebam atenção suficiente (por exemplo, em comitês)?
  • O clima é incluído nas análises de riscos e oportunidades materiais para a empresa no curto, médio e longo prazos?
  • Como seu conselho garante que a empresa integrou a análise de materialidade de oportunidades e riscos climáticos aos seus processos?  

A publicação apresenta muitas outras provocações relevantes e, em breve, uma versão em português estará disponível no Portal do Conhecimento do IBGC. 

As medidas práticas que adotaremos a partir desses questionamentos são urgentes, precisam causar mais impacto, mas não podemos correr o risco de perder o prumo. Por isso, amigo leitor, me permita encerrar esta reflexão com o depoimento profético (e potente) de Davi Kopenawa, liderança yanomami, em suas notas iniciais de “A queda do céu:

“A floresta está viva. Só vai morrer se os brancos insistirem em destruí-la. Se conseguirem, os rios vão desaparecer debaixo da terra, o chão vai se desfazer, as árvores vão murchar e as pedras vão rachar no calor. A terra ressecada ficará vazia e silenciosa. Os espíritos xapiri, que descem das montanhas para brincar na floresta em seus espelhos, fugirão para longe. Seus pais, os xamãs, não poderão mais chamá-los e fazê-los dançar para nos proteger. Não serão capazes de espantar as fumaças de epidemia que nos devoram. Não conseguirão mais conter os seres maléficos, que transformarão a floresta num caos. Então morreremos, um atrás do outro, tanto os brancos quanto nós. Todos os xamãs vão acabar morrendo. Quando não houver mais nenhum deles vivo para sustentar o céu, ele vai desabar.”

*Henrique Luz ([email protected]), CCA+, CCoAud+ e CCF IBGC, é membro independente de conselhos e ex-presidente do conselho de administração do IBGC  

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