Nas alturas

Ibovespa tem tudo para ficar acima de 75 mil pontos no fim de 2017

Artigo / Bolsas e conjuntura / 11 de maio de 2017
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Passados os primeiros quatro meses do ano, mantemos a expectativa de que o Ibovespa terminará 2017 acima de 75 mil pontos. Há alguns pontos que acreditamos serem os mais relevantes para justificar esse prognóstico para o principal índice da B3. Um deles é o atual ciclo de queda da taxa básica de juros, que deve levá-la a encerrar o ano na casa de um dígito, perto de 9% anuais. Outro aspecto importante é a perspectiva de uma inflação medida pelo IPCA inferior a 4,5% em 2017 — abaixo do centro da meta.

Nesse cenário de juros mais baixos e inflação em queda já observamos taxas menores de captação (financiamento) para empresas e bancos. Isso deve ter impacto sobre as despesas financeiras, em breve favorecendo lucros maiores. Recentemente houve um bom exemplo dessa captação a custo mais atrativo. Uma emissão de dívida da Petrobras teve uma demanda cinco vezes maior que a oferta, e a empresa conseguiu pagar a menor taxa de sua história para uma operação desse tipo (6,125%, em dólar), mesmo tendo perdido a classificação de grau de investimento.

Adicionalmente, o risco-país continua em queda. Em setembro de 2015, o indicador chegou a atingir 533 pontos-base e hoje está em torno de 250 pontos-base, o que corrobora a visão mais otimista com o Brasil.

Vale mencionar que o juro real (diferença entre a taxa que o investidor recebe e a inflação) permanece em declínio, fator que começa a provocar uma busca mais intensa por ativos de maior risco e possível retorno, como as ações. Os fundos de pensão, que formam uma categoria de investidores de peso, em geral têm como meta atuarial a obtenção de rendimento real anual de 6% para suas carteiras, o que se torna bastante difícil sem aplicações em renda variável — mais um ponto a favor da bolsa.

Existe ainda um aspecto de extrema importância: as reformas estruturais, cruciais para o bom andamento da economia e para manutenção do otimismo em relação ao Brasil. A reforma da Previdência será o grande parâmetro do sucesso do governo Temer. Apesar de julgarmos que sua aprovação será mais difícil do que a da PEC do teto dos gastos, acreditamos que passará pelo Congresso — mas com algumas mudanças, principalmente em relação às regras de transição.

É óbvio que o céu não é de brigadeiro: há crise fiscal em estados importantes e sombras da possibilidade de votação da cassação da chapa Dilma-Temer e do conteúdo de delações premiadas de executivos. Permanecemos, no entanto, otimistas no médio prazo. Isso por acreditarmos que o País depende mais de medidas internas para atração de capital estrangeiro do que de fatores externos — enquanto países que concorrem com o Brasil (México, Turquia e África do Sul, por exemplo) enfrentam um cenário mais desafiador, por não dependerem exclusivamente de si na resolução dos problemas econômicos e na atração de investidores estrangeiros.

Configura-se, portanto, um cenário externo que favorece o Brasil na comparação com seus pares emergentes; no plano interno, ajustes, mesmo que um pouco aquém do necessário, devem seguir adiante. Assim, hoje é favorável o cenário para a retomada do crescimento do País, com juros menores e inflação mais controlada — um ambiente que favorece um círculo virtuoso para as empresas e, por consequência, para as ações e o Ibovespa. Em um cenário otimista, a XP espera que o indicador termine o ano em 79.500 pontos e que atinja a marca de 88.000 pontos ao fim de 2018.

 


Celson Plácido (celson.placido@xpi.com.br) é estrategista-chefe da XP Investimentos



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Tags:  Ibovespa inflação taxa de juros B3 Celson Plácido

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