Temporada de liquidação (Magazine Luiza)

Ações da varejista perdem metade do valor em seis meses, afetadas pela recessão

Alta & Baixa / Companhias abertas / Edição 145 / 1 de setembro de 2015
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Inflação alta, restrições ao crédito e aumento nos índices de desemprego. O cenário atual, definitivamente, não favorece o Magazine Luiza. Assim como boa parte das empresas do setor de varejo, a rede sofre com as dores causadas por esse trinômio. Nos seis meses encerrados em 20 de agosto, as ações perderam 51,32% do valor.

A companhia registrou lucro no último balanço trimestral, mas bastante aquém do apresentado em igual período do ano passado. Entre abril e junho de 2015, o lucro líquido foi de R$ 3 milhões, queda de 88,6% em relação ao mesmo intervalo de 2014.

Segundo a empresa, o número “foi influenciado pela menor diluição das despesas fixas e pelo aumento das despesas financeiras, em função da evolução significativa da taxa básica de juros no período”. A base de comparação dos resultados também não ajuda: há um ano, o País vivia a expectativa da Copa do Mundo, o que impulsionou as vendas de televisores, um dos carros-chefes da empresa. Os outros resultados do Magazine Luiza também despontaram: o Ebitda totalizou R$ 126,6 milhões, queda de 4,8% na comparação anual. A receita líquida caiu 10,1%.

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De acordo com Maria Paula Cantusio, analista do BB Investimentos, a desvalorização dos papéis reflete o resultado abaixo do esperado das lojas adquiridas nos anos anteriores. Foram 121 em 2011, advindas da rede Lojas do Baú, em São Paulo, Minas Gerais e Paraná; e 150 da rede paraibana Lojas Maia, aquisição realizada em 2010. “A conversão dessas lojas para o formato Magazine Luiza, especialmente na região Nordeste, foi demorada e acabou ocorrendo num momento em que as vendas haviam desacelerado”, observa Maria Paula.

A analista do BB espera que a rede varejista feche o ano com crescimento de faturamento de 10% e, a partir de 2016, de 13%. “A ação se desvalorizou excessivamente, movimento que não condiz com a solidez da companhia. O Magazine Luiza tem investido em TI, gestão de estoques e e-commerce. Além disso, possui uma marca reconhecida no mercado”, observa. Hoje, o e-commerce representa 18% das vendas.

Os estoques altos afetaram a rentabilidade da empresa, na avaliação do analista Felipe Martins Silveira, da Coinvalores. “Isso atinge o varejo como um todo, e o Magazine Luiza em especial”, diz. Segundo ele, o preço do papel tende a continuar pressionado no curto prazo, mas com tendência de valorização ao longo de 2016, à medida que a economia brasileira se recuperar.


A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.




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