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Mudanças nas regras, inclusive com a possibilidade de CRI e CRA, devem impulsionar o crowdfunding
Além disso, a CVM aumentou o limite de captação, que passou de R$ 5 milhões para R$ 15 milhões para empréstimos ou equity
Fonte: Paulo Deitos, presidente da Crowdinvest
Fonte: Paulo Deitos, presidente da Crowdinvest

O crowdfunding para investimentos, assim como todo o mercado financeiro e de capitais, vem sofrendo nos últimos anos em função do aumento do custo de capital. Ou seja, os juros em dois dígitos por aqui têm feito investidores pensar duas vezes na hora de fazer uma alocação. No entanto, mudanças nas regras de crowdfunding para investimentos, como a possibilidade de papéis securitizados, tende a ajudar na recuperação no segmento daqui para frente.

Isso porque, agora é possível registrar e distribuir via plataformas de crowdfunding Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA), por exemplo. Com isso, o setor tem apresentado certa melhora recentemente, mas nada que se compara a anos anteriores, quando as rodadas disponibilizaram centenas de milhões de reais.


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Além da taxa de juros elevada, atualmente em 10,50% ao ano, que aumenta o risco na hora de aportar recursos por meio de um crowdfunding, o cenário interno de muitas amarras e dúvidas sobre a política fiscal também têm colocado uma pulga atrás da orelha dos investidores. 

Apesar disso, existem boas empresas que precisam deste tipo de recurso para alavancar seus negócios. Além da possibilidade de papéis securitizados, o valor transacionado via crowdfunding deve ter um impulso ainda maior por causa das autorizações feitas pela Comissão de Valores Mobiliário (CVM) no segundo semestre do ano passado.

Entre as mudanças na CVM 88, que trata das regras de crowdfunding, consta a ampliação de sociedade e a captação. Agora, entram no conceito empresas de pequeno porte com até R$ 40 milhões de receita bruta. Entretanto, se as empresas forem controladas por uma outra pessoa jurídica ou fundo de investimento, o limite é de R$ 80 milhões. Quando o assunto é captação, o limite passou de R$ 5 milhões para R$ 15 milhões para empréstimos (dívida) ou equity quando o investidor se torna sócio do negócio.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Crowdfunding de Investimento (Crowdinvest), Paulo Deitos, a securitização de ativos via crowdfunding é um avanço importante. “Agora, é possível registrar e distribuir via plataformas de crowdfunding CRI, CRA e outros papéis securitizados. Esse novo segmento é de números realmente grandes e, por conta disso, existe a possibilidade de que o volume de crowdfunding, seguindo a tendência do primeiro semestre, possa chegar perto de R$ 1 bilhão este ano, sendo que em 2023 foram R$ 200 e pouco milhões”.

Como exemplo dessa possível arrancada, Deitos afirma que uma única plataforma de investimentos já fez mais de R$ 100 milhões em 2024. Segundo ele, há uma expectativa de R$ 100 milhões por mês até o final de 2024. “Se não chegarmos a R$ 1 bilhão, vamos chegar perto disso. A (securitização) vai mudar o mercado, vai reaquecer os motores. A tendência é que o mercado comece a crescer fortemente.”

Na hora do desembolso, o executivo ressalta que os investidores têm buscado aquele projeto que encante, projeto que enche os olhos e que demonstre a possibilidade de bons ganhos. Por outro lado, aqueles que não deixam isso claro nas rodadas de investimentos têm tido uma dificuldade maior e acabam sem sucesso na captação.

“Em relação as empresas, elas estão mais receosas devido ao cenário adverso. Então, algumas que estavam pensando em fazer rodadas terminam adiando à espera de um melhor cenário macro”, comenta Deitos.

Numa sondagem feita com os associados, o presidente da Crowdinvest conta que o que mais tem contribuído para a não retomada dos patamares anteriores é a crise política que vivemos, com um governo federal que não possui uma boa atuação no âmbito econômico e fiscal. “(A retomada) depende muito de o governo mudar o seu comportamento, ou seja, não existem sinalizações claras de que isso vá acontecer. A expectativa atual é inclusive de uma possível piora”.

Na visão do diretor de Educação e Certificação da APIMEC Brasil, Marco Saravalle, num cenário em que a Selic está em dois dígitos, não existe um setor que tenha sofrido mais ou menos. No caso do crowdfunding especificamente, há demanda por setores que envolvam principalmente tecnologia, varejo, consumo e educação.

“Então, os setores, talvez aqueles mais tradicionais para captação, de originação, ou crowdfunding, que exigem algum diferencial competitivo, vão ter escala e ganhos de rentabilidade no médio e longo prazo”, diz Saravalle.

Do lado da APIMEC, inclusive, o diretor diz que grande parte dos clientes possuem alguma parcela em crowdfunding, já que é um capital que tem uma demanda consistente porque as empresas necessitam deste tipo de recurso.

Embora reconheça que o ambiente é muito desafiador, Saravalle acredita que a demanda por crowdfunding deva continuar, tanto do lado da oferta, com boas empresas querendo captar, quanto do lado da demanda, com o investidor preparado para alocar.

Selo “padrão” Anbima para crowdfunding

Como todo e qualquer segmento que requer mudanças e adaptações ao longo do tempo, seja para melhorar os meios ou para deixar a prática ainda mais salutar, o crowdfunding se prepara para ter um “selo” igual da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) para chamar de seu.

Deitos comenta que o objetivo da associação é desenvolver uma autorregulação, uma vez que o mercado está começando a crescer em volume e número de players. “É importante que tenhamos um modelo que busque evitar que plataformas mal-intencionadas façam operações que não são autorizadas.”

Quando indagado sobre quem não seguir a cartilha como vai atuar, o presidente da Crowdinvest diz não saber. “Teoricamente, (o selo) tende a dar uma maior credibilidade”.

B3 abraçando o segmento

Como parte dos investimentos e inovações para o mercado de capitais, a B3 lançou no mês passado uma plataforma que oferece infraestrutura para tokenização de ativos para o crowdfunding.

A nova solução da B3 permite que Contratos de Investimento Coletivo (CICs) e ativos emitidos nas plataformas sejam via tokens. Atualmente, existem mais de 60 plataformas de crowdfundig autorizadas para este tipo de captação primária junta a investidores.

“Estamos trazendo para o mercado uma solução white label [adaptável às necessidades de cada cliente] ágil e segura, que possibilita ao setor de crowdfunding oferecer um ambiente para que os investidores possam transacionar sua participação em startups e pequenas e médias empresas. O uso de plataformas de financiamento coletivo muitas vezes é o primeiro passo das empresas no mercado de capitais”, diz Jochen Mielke de Lima, CEO da B3 Digitas, em nota.

A infraestrutura da B3 também servirá para a posterior negociação dos ativos, com liquidação financeira via PIX, controle de titularidade e rastreabilidade das operações. As plataformas poderão oferecer aos investidores um ambiente personalizado com sua marca aos seus clientes. A Bolsa brasileira, entretanto, não atuará como contraparte central e nem interferirá nas operações feitas, que continuarão sendo gerenciadas pelas plataformas, assim como o relacionamento com empresas e investidores.


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