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Empresas de capital aberto devem se antecipar às normas IFRS S1 e IFRS S2 
Vale sai na frente, anuncia adesão já em 2025, e evita desafios que serão maiores para quem deixar para o prazo final, 2026, como a curva de aprendizado necessária para os profissionais
Reprodução Vale
Reprodução Vale

Na fileira das regulamentações voltadas ao ESG (Governança ambiental, social e corporativa, em português), o Brasil aderiu voluntariamente às normas IFRS S1 e IFRS S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), que tratam dos requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e às relacionadas ao clima, respectivamente. Embora poucas se manifestem publicamente, boa parte das empresas pretende se adequar às novas regulações ESG antecipadamente. Para as que deixaram para a última hora, os desafios podem ser maiores.

É o que aponta a pesquisa IBRI Deloitte 2024. De acordo com o levantamento, 51% das empresas pretendem adequar os relatórios de informações de sustentabilidade até 2025. Para as de capital aberto, esse percentual é de 68%. A adoção passa a ser obrigatória apenas em 2026.

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Por ora, a IFRS S1 e a IFRS S2 são as primeiras normas propostas pelo ISSB. “Já teve uma primeira empresa que declarou publicamente que fará a adoção antecipada. São normas relativamente novas, as minutas de disposição saíram, mais ou menos, em meados de julho do ano passado, foram oficialmente aprovadas entre o final de outubro e o comecinho de novembro, mas ainda tem tempo de adoção”, afirma Reinaldo Oliari, coordenador do Grupo de Trabalho Sustentabilidade e ESG do Ibracon


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Este é o primeiro ano de adoção voluntária, assim como 2025, e a partir do exercício de 2026, a adoção é mandatória. “Por ser novo, ainda acho que está naquela fase de letramento. Não necessariamente essa informação vai ficar pública, mas as empresas vão adotar, tentar preparar esses relatórios, e depois disponibilizar no mercado. Vai depender muito da curva de conhecimento, conforto de como isso está no mercado, se essa informação já foi ou não assegurada por um auditor externo”, diz Oliari.

Atualmente, cada entidade publica as informações da maneira que entende ser a mais apropriada. Os frameworks mais utilizados para esses relatórios no Brasil, por exemplo, são o padrão GRI (Iniciativa Global de Reporte, em português), alguns com SASB (em português, Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade), outros TCFD (na tradução, Grupo de Trabalho sobre Divulgações Financeiras Relacionadas com o Clima), ou uma junção dos padrões. 

Segundo Oliari, a maioria das empresas utiliza, globalmente, as informações que consideram interessante divulgar, o que dá uma margem para greenwashing ou outros washings. Com a IFRS S1, as informações passam a ter uma materialidade, pois seguem uma padronização de linguagem e de estrutura de um relatório financeiro, que seguirá uma ordem. Enquanto a IFRS S2 possui as mesmas diretrizes da Norma Contábil e com viés para o investidor.

As normas são essenciais para a padronização dos relatórios, contudo, alguns desafios devem acompanhar essa transição, como custos associados, identificação das métricas relevantes e como conectar os relatórios de sustentabilidade e ESG com os financeiros, segundo o estudo.

Se antecipando à correria do mercado, a maior mineradora brasileira, a Vale, foi a primeira e única empresa que declarou publicamente a adoção voluntária do padrão ISSB. A companhia espera apresentar seu primeiro relatório no padrão internacional em 2025. 

Segundo José Victor Sousa, gerente-geral de Reportes Financeiros e Controles Internos da Vale S.A, a companhia apoia a adoção das normas do ISSB antecipadamente por considerar que irão promover padronização e transparência no reporte das informações de sustentabilidade, além da maior integração entre os relatórios financeiros e de sustentabilidade. “Assim, a Vale acredita que as iniciativas de sustentabilidade serão reportadas pelas empresas de forma mais precisa e comparável”, comenta o executivo.

A Vale tem conduzido processos internos para “arrumar a casa” e apresentar seu primeiro relatório no padrão internacional ISSB em 2025, após a conclusão do exercício social em curso, iniciado em 1º de janeiro de 2024.

“O processo de adoção do ISSB está sendo conduzido pela administração da companhia, com a supervisão do Conselho de Administração, por meio do Comitê de Auditoria e Riscos e do Comitê de Sustentabilidade. A companhia reuniu um grupo multidisciplinar para trabalhar na adoção das novas normas e conta com o apoio do de consultorias especializadas no tema”, aponta Sousa.

Outra blue chip que também tem se preparado internamente para a adaptação às normas, embora ainda esteja estudando o prazo de adoção, é a Petrobras. No momento, a companhia está avaliando várias normas, como os requerimentos das IFRS S1 e S2 e da nova regra do regulador do mercado de capitais norte-americano (Securities and Exchange Commission, SEC), chamada “The Enhancement and Standardization of Climate-Related Disclosures for Investors” e das European Sustainability Reporting Standards (ESRS), previstas na Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) da União Europeia.

“Esse trabalho está sendo realizado por um grupo composto por diferentes áreas da companhia e será submetido à aprovação da administração para definição de cronograma de implantação e de adoção dos novos requerimentos”, disse a Petrobras.

Para Oliari, do Ibracon, o primeiro passo, que pode se tornar um desafio para as empresas na adequação às normas, é ter investimento em capacitação profissional para aqueles que são responsáveis pelos relatórios. O segundo passo, do diagnóstico, é saber o que tem de informação disponível, uma vez que muitas empresas possuem informações, ainda que já pulverizadas, já divulgam a CDP (Carbon Disposed Project), e preparam algum tipo de relatório, mesmo que interno.

“Se as empresas prepararem profissionais de letramento sobre o que é requerimento da norma, fizerem algum tipo de diagnóstico do que falta e construir um plano de implementação, fica mais fácil”, comenta. “Para aquelas que deixarem para a última hora, haverá dificuldade na contratação de profissionais, na coleta de informações que têm que ser estruturadas de uma maneira mandatória, discutir com o auditor externo como é que esse processo de asseguração é razoável, que é diferente da asseguração limitada.” 

Enquanto na asseguração limitada você entende o processo de elaboração do relatório, na asseguração razoável, é preciso testar os controles, ver se o desenho deles, de como essas informações chegam no relatório, e o auditor opina se os controles estão apropriados. 

Dada a complexidade dos relatórios, o próprio Ibracon já disponibilizou os primeiros treinamentos acerca do tema. Para as empresas que já têm esses relatórios de sustentabilidade, que possuem um procedimento de auditoria, fica mais fácil uma adaptação de processos para preparar um relatório de acordo com as novas normas. Já aquelas que nunca prepararam esses relatórios terão mais dificuldade.

Tanto a Vale quanto a Petrobras, por exemplo, já realizam a divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade, mas nos padrões GRI, SASB e TCFD, o que deve tornar o processo de adaptação menos árduo. No entanto, as companhias não deixam de ressaltar que há dificuldades na adoção das normas. “O maior desafio tem sido a curva de aprendizado necessária dos times para adaptar processos e controles. Esses desafios se tornam maiores pelo fato de serem padrões novos e ainda não implementados, ou seja, a prática de reporte ainda está em desenvolvimento pelo mundo”, comenta Sousa, executivo da Vale.

A mineradora, que está à frente da adoção voluntária, está participando ativamente de discussões sobre o processo de adoção, por exemplo, por meio de interações com outras empresas e via Sustainability Reference Group, coordenado pelo IFRS, e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). 

Já a Petrobras, que ainda não definiu o prazo para a adoção, também ressalta que, em conjunto, os normativos em estudo pela companhia possuem uma grande quantidade de requerimentos que pedem análises detalhadas e cuidadosas e, por isso, exigem conhecimento e treinamento. “Para a realização dessas análises, é necessário um conhecimento técnico especializado. Muito desse conhecimento já é detido pelos profissionais envolvidos com essas análises, e a companhia está investindo em treinamentos para suprir as necessidades de conhecimentos adicionais”, diz a companhia.

Segundo a Petrobras, um dos desafios identificados é manter objetividade e clareza quando há necessidade de atendimento a um conjunto de diferentes normativos que, apesar de terem similaridades, possuem suas particularidades.


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